Acne derruba autoestima do adolescente
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domingo, 09 de maio de 2010
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Rio de Janeiro - Identificar a acne é relativamente simples, mas iniciar um tratamento para amenizá-la nem sempre, seja por falta de conhecimento ou por causa da concepção de que isso não é problema. Mas, na adolescência, tratar a acne pode significar a diferença para um jovem seguro e outro com baixa autoestima e problemas emocionais como timidez, ansiedade e depressão. Esta é a análise que a psiquiatra americana Eva Ritvo faz de uma pesquisa intitulada ''Como o adolescente com acne é visto pela sociedade''. Professora associada do departamento de psiquiatria da Faculdade de Medicina de Miller, da Universidade de Miami (EUA), e coautora do livro ''The beauty prescription'', Eva apresentou o estudo no Brasil durante o 1º Acne Day, evento promovido pela indústria farmacêutica Galderma, em abril, no Rio de Janeiro.
O conceito de beleza, explica a psiquiatra, está relacionado historicamente à ideia de saúde e longevidade. Mas a acne, presente em até 82% dos adolescentes em variados graus, afeta essa concepção. Entre as conclusões do estudo, uma é que o estigma social associado à acne afeta de tal forma a autoestima do adolescente que isto empobrece sua vida social e reduz suas chances de namorar e de se lançar na vida com a confiança necessária para construir um futuro de sucesso. ''Os jovens com acne se sentem inferiorizados e constrangidos por sua aparência. Namoram menos, são mais solitários e são vistos por outros adolescentes como tímidos, bobos ou nerds. Os que têm pele saudável são percebidos como mais felizes, mais populares e mais ativos socialmente'', alerta.
O estudo, realizado pela empresa Kelton Research em abril, abrangeu dois grupos - mil adolescentes com idade entre 13 e 17 anos, e mil adultos acima de 18 anos. Eles responderam a questões com base em fotos que mostravam jovens com a pele saudável e as mesmas imagens com a pele com acne, alteradas por computação gráfica. Um dos resultados mais surpreendentes é que a pele era o que mais chamava a atenção naqueles com acne, diferente daqueles sem acne, em que o formato da boca era o item mais notado no rosto. ''O olho detecta imediatamente um sinal de não saúde'', aponta a psiquiatra.
Nos jovens com acne, um número maior de pessoas associou aspectos negativos, como timidez, falta de confiança e de inteligência. E mesmo os adultos, afirma Eva, percebem a acne como algo negativo. A pesquisa mostrou que sua concepção era de que 54% dos jovens com a pele saudável se tornariam líderes, número bem superior aos com acne (34%). ''A acne afeta a forma como o adolescente é percebido pelo mundo, em um período da vida em que ele está firmando sua identidade e autoestima. É uma doença que pode atrapalhar a atratividade e o seu desenvolvimento. Se não tratada, o jovem não sai, não namora, e pode entrar em uma espiral com consequências sérias, com o aparecimento de transtornos mentais. A acne deve ser diagnostica e tratada o mais cedo possível para evitar consequências negativas'', afirma.
* A jornalista viajou a convite da Galderma


