ACM visita obra abandonada do Fórum Trabalhista de SP
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domingo, 21 de março de 1999
Por Vera Rosa 
São Paulo, 22 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), fez hoje uma visita-surpresa às obras do Fórum Trabalhista de São Paulo, que já custaram R$ 228,84 milhões aos cofres públicos e estão abandonadas desde outubro. Em mais um capítulo de sua briga com a Justiça do Trabalho, ACM chegou ao canteiro de obras, na Avenida Marquês de São Vicente, às 15h15, e quase não conseguiu entrar. Foi barrado pelo segurança e sua diligência só foi liberada depois da identificação.
ACM saiu de lá meia hora depois com a certeza de ter encontrado um fato grave para justificar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário. "Esse prédio inacabado é um escândalo, um elefante cinza", afirmou. "Nunca vi nada igual."
ACM justificou a resistência do segurança Patrício Lima para permitir sua entrada. "O rapaz está cumprindo sua obrigação", disse. "Não sabia que ele era senador", justificou Lima. Ao deixar o local, ACM foi reconhecido pelo pernambucano Antonio Belo da Silva, que trabalhou na construção do fórum durante um ano e meio e foi demitido sem receber salário. "Senador, por favor, sou seu xará; o senhor precisa nos ajudar!", apelou Silva. "Deixe comigo, vou denunciar isso", prometeu o presidente do Senado.
Ele reiterou que na quinta-feira apresentará pedido de abertura de uma CPI para investigar várias irregularidades no Judiciário. "Não são só os gastos excessivos: na Justiça do Trabalho, que é a mais desnecessária, há escândalos enormes, de nepotismo à improbidade administrativa", argumentou.
Superfaturamento - O abandono das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo é um exemplo. Depois de consumir R$ 228,84 milhões de verbas federais desde 1992, a construção de duas torres que abrigariam 79 Juntas de Conciliação e Julgamento foi totalmente paralisada. Motivo: o Ministério Público constatou superfaturamento e improbidade administrativa.
A Justiça Federal decretou o bloqueio dos repasses de recursos para a Incal Incorporações S/A, responsável pela obra. Dois ex-presidentes do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), Nicolau dos Santos Neto e Délvio Buffulin, foram acusados de "irreparável lesão aos cofres do Tesouro" e estão com os bens indisponíveis.
"Cada dia que passa uma construção espetacular como a que acabei de ver dá mais prejuízos", disse ACM. "Temos de pôr um fim nessa mazela nacional." O senador baiano voltou a criticar o comportamento do vice-presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), ministro Almir Pazzianotto, que se tornou seu desafeto depois de afirmar que ele não tinha equilíbrio emocional. "Já denunciei que esse ministro tem 14 parentes empregados na Justiça do Trabalho em São Paulo e mandei um fax a ele com os nomes de todos", insistiu. Perguntado sobre a resposta de Pazzianotto, ACM foi taxativo: "Nenhuma, porque não dou a ele essa ousadia."


