Brasília, 21 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), lançou hoje, em tom irônico, o nome do ministro da Fazenda, Pedro Malan, para a Presidência da República. ACM afirmou que Malan será um bom candidato, principalmente se a política econômica der certo.
"É um nome que será falado", previu. Para o senador, as chances do ministro aumentarão se ele conceder um bom reajuste para o salário mínimo. "Isso mostrará que ele tem sensibilidade", argumentou. Ele deixou claro que não consultou o PFL sobre a possibilidade de o partido apoiar o ministro. "Vou perguntar isso ao Bornhausen (presidente nacional do PFL, Jorge Bornhausen, senador por Santa Catarina) e, depois, darei a resposta", informou. ACM tampouco quis antecipar o apoio do presidente Fernando Henrique Cardoso à possível candidatura do ministro. Ele argumentou que, "pelos critérios de Fernando Henrique, nem Deus passou". "Acho que Malan já está recebendo os pobrezinhos por lá", defendeu, ao dizer que o ministro mudou e que, agora, não é o mesmo de algum tempo atrás, que "não recebia pobres em seu gabinete", de acordo com o que ele mesmo disse em 1999. Perguntado - igualmente com ironia - se a mudança de posição queria dizer que esses pobres falam inglês com o ministro, o senador disse que não, mas adiantou que o ministro pode os ensinar a se comunicar dessa forma. "Não, mas ele ensina", justificou.
ACM destacou que outro ponto que ajudaria nessa candidatura é o jeito de agir e a aparência do ministro, que lhe parece "muito simpático".
"Aquele negócio que ele tem nos olhos se tira com cirurgia", sugeriu, referindo-se às bolsas sob os olhos do ministro. ACM disse que se sentiu intrigado porque os jornalistas que acompanharam o encontro dele com Malan na Associação Comercial da Bahia, ontem (20), ignoraram a pregação pública que ele fez a favor da candidatura do ministro. Ele repetiu o que havia dito na ocasião: "Quero dizer da minha admiração e do meu respeito pela figura do ministro Malan, que chegou ao governo como tecnocrata e, hoje, revelou-se um grande político, de quem o País ainda espera muito de seu trabalho e ainda espera outros vôos".
O senador disse que, se fosse jornalista, confirmaria a tese de que a frase traduz realmente o lançamento de Malan na sucessão presidencial. ACM minimizou o fato de o ministro ter sido criticado recentemente pelo governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), ao alegar que não vê nada de estranho nessa situação, justificando: "Nos últimos tempos, só o Covas tem criticado as pessoas mais do que eu." O senador também defendeu como ponto a favor da candidatura de Malan o apoio que ele tem dado ao Fundo de Combate e Erradicação à Pobreza - criado por uma iniciativa dele - embora, no início, tenha se manifestado contrário à idéia.

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