ACM: sou o nome mais provável do PFL para eleições/2002
São Paulo, 14 (AE) - Entrevistado no Espaço Aberto, da Globo News, o presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), reconheceu ser o nome mais provável de seu partido para a disputa presidencial de 2002, mas que se as eleições fossem hoje certamente não sairia o vencedor. "Eu acredito que, no meu partido, eu seja hoje o nome mais provável, mas isso não significa que nós temos força para eleger (um presidente). Eu não vou concorrer nunca a uma eleição se eu não tiver grandes possibibilidades. Até porque eu gosto do Senado, e acredito que os baianos me reelejam se eu for candidato. Então, eu não vou em nenhuma aventura. Evidentemente, você vai sempre para disputar, mas pode ganhar ou perder. E você sabendo que vai perder, só para botar na sua biografia que foi candidato a presidente da República! Isso fica bem para Ruy Barbosa, para ACM não. Hoje, eu não tenho certeza se ganharia. Se você me vir candidato, é porque eu acredito que vou ganhar. Hoje, eu não acredito", afirmou.
Ainda durante a entrevista ACM disse acreditar que o governo Fernando Henrique tem salvação, especialmente porque, segundo ele, o presidente está agora livre de amarras políticas. "Na medida em que ele não tem compromissos com relação ao futuro, ele tem que fazer aquilo que é certo, independentemente de partidos políticos, seja da base aliada ou não. Na hora que ele disser: eu só faço o que o Brasil quer, o que o brasileiro deseja, ele vai governar melhor. Mas ele fica um pouco preso à área política, e a área política nem sempre faz as coisas que deve", disse. E sobre o papel do PFL neste tocante, afirmou: "Nós também temos responsabilidade; nós elegemos Fernando Henrique e não podemos entregá-lo às feras". E acrescentou: "Eu tenho um elo que é muito importante em relação ao presidente da República, para mim, que é a memória do meu filho Luiz Eduardo. Eles eram muito amigos, e eu não farei nada, a não ser que seja provocado demais, para desgostar de Fernando Henrique", afirmou.
O senador Antônio Carlos Magalhães criticou mais uma vez o presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Carlos Velloso, arremessando também farpas contra determinados setores do Judiciário. "O Supremo nunca foi tão politizado como está agora. O juiz do Supremo falava nos autos, agora fala mais na imprensa do que determinados políticos. E o presidente do Supremo gosta disso. Ele tem um temperamento muito mais político do que de juiz. De maneira que ele está sempre querendo uma oportunidade para dizer alguma coisa. Outros ministros do Supremo, evidentemente, não pensam assim. Eles têm uma firmeza de atitude, de discrição, e alguns destes estão à beira da saída
e temos que lamentar bastante", afirmou. E acrescentou: "Mas, de qualquer maneira, eu respeito muito o Supremo Tribunal Federal. Acho que eles merecem o respeito de todo o País. Eles não praticam lá o nepotismo. Neste caso da Previdência, eu acredito que eles tenham procurado votar corretamente. Agora, colocar em pauta agora, é uma inabilidade, quando não se deu o teto que eles desejavam de 12,7 mil reais. Então, quando não se deu este teto, eles votam imediatamente? O povo pensa que é uma represália, uma retaliação. O Supremo não pode fazer isso. Houve uma inabilidade. Mas isso não quer dizer que houve uma incorreção", disse. "O ministro Velloso daria um bom deputado, ou senador. Mas como ministro do Supremo ele exagera na aparição", disse ACM. "O Judiciário brasileiro não é ágil, é preguiçoso, às vezes corrupto, e consequentemente não honra o País", acrescentou o senador. Com relação à questão da Previdência, ACM declarou: "O País quebra se não consertar a Previdência. E muita gente já nota, mesmo entre os petistas; todos (os governadores) já estão vivendo este problema, chamando a atenção de seus partidos. Se nós não dermos solução para Previdência rápida, cada dia é uma sangria tremenda para os cofres públicos nacioniais, estaduais e municipais", concluiu.





