Brasília, 29 (AE) - O presidente do Congresso, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), partiu hoje para o contra-ataque e respondeu às declarações do ex-governador e ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes (PPS), que criticou a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar supostas irregularidades cometidas pelo Poder Judiciário. "A convivência que eu tive com Ciro Gomes não foi suficiente para me sujar com sua companhia", afirmou Magalhães.
"Das vezes em que o cumprimentei, não sujei minhas mãos porque tive o cuidado de as lavar depois", completou. Durante o fim de semana, Ciro Gomes assumiu a posição do partido, afirmando que o presidente do Senado não tinha "autoridade moral" para propor a CPI por ter "o dedo sujo". A CPI do Judiciário, entretanto, recebeu a adesão da maioria dos senadores e deverá ser instalada logo após o feriado da Páscoa. Os trabalhos da comissão deverão durar, no mínimo, 120 dias.
O presidente do Senado questionou a origem da renda pessoal do ex-governador, que voltou a viver nos Estados Unidos, onde está estudando economia. "O que eu não consigo entender é como um desempregado tem a vida boa que ele tem", disse ACM. "É só ver a sua declaração de bens e observar que ele não pode levar a vida que leva." O cacique baiano também atacou a carreira política do ex-governador - "Não é no parque aquático que ele vai se credenciar para fazer política" - e prometeu ignorá-lo. "Não vou discutir com ele, ele quer aparecer às minhas custas."

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