Brasília, 10 (AE) - O governo deu mais um passo em sua estratégia para garantir a reedição da medida provisória que fixa o salário mínimo em R$ 151, no dia 20, adiando o embate final com seus aliados no plenário do Congresso. Hoje, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ao invés de insistir na votação do mínimo antes de o plenário examinar a proposta de Orçamento deste ano, propôs que os líderes dos partidos marquem previamente as datas das duas votações.
"Aí se age com correção", disse ACM. "Desta forma, nem o governo impõe sua vontade, nem a oposição obstrui a votação do Orçamento", acrescentou. Esta é a senha do senador baiano para uma nova rodada de negociações com o Palácio do Planalto.
Não é o que pensa seu aliado na briga contra o salário de R$ 151. Bem ao contrário, o deputado Paulo Paim (PT-RS) diz que a proposta de uma "data casada" para o salário e o Orçamento só terá serventia para os que defendem o mínimo de R$ 177 se for dada prioridade ao mínimo. "Ou votamos primeiro o salário, para que tenhamos garantia de quórum, ou o governo vai repetir o que tem feito nos últimos cinco anos: esvaziará o plenário para evitar a votação", diz Paim.
Na semana passada, ACM garantiu ao deputado petista que poria a MP do mínimo em votação amanhã (11) ou quarta-feira (12). Agora, porém, seus mais próximos aliados apostam que o assunto só será votado depois dos feriados da Semana Santa, o que implica na reedição da MP.
O senador baiano, entretanto, transferiu a responsabilidade sobre a marcação das datas aos líderes partidários que ele próprio está contatando, um a um.
Compromisso - A idéia de ACM é selar "um acordo de cavalheiros" com os líderes, envolvendo os dois assuntos. É por aí que ele pretende "amarrar" o quórum para votar as duas propostas, evitando a retirada estratégica do governo depois de aprovar o que é de seu interesse. Até o deputado Luiz Antônio de Medeiros (PFL-SP) foi reticente na avaliação do sucesso da estratégia sugerida pelo senador. "Como se garante o quórum eu não sei; minha única garantia é o ACM", resignou-se.
A nova postura do presidente do Senado agradou ao Planalto. "A proposta é interessante", festejou o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF). Ele destacou que o importante para o governo é ter um acordo com o PFL antes da votação, para que a base aliada possa caminhar unida. "Se chegarmos a um acordo de cavalheiros em torno da data das votações, só posso acreditar nos líderes", ponderou ACM, para destacar em seguida: "Se não houver a compreensão dos líderes, agirei por conta própria".
Não é por acaso que os combatentes do salário mínimo de R$ 151 estão descrentes de uma votação nesta terça-feira (11). O depoimento do ministro do Planejamento, Martus Tavares, marcado para amanhã (11) de manhã, acabou adiado para as 16h. "Mas depois do depoimento do ministro, vamos votar o relatório do deputado Armando Monteiro (PMDB-PE), nem que tenhamos que entrar noite a dentro", repetia hoje o presidente da comissão mista que examina a MP do mínimo, senador Iris Rezende (PMDB-GO).
Publicação - Se for preciso mesmo entrar noite a dentro, a votação em plenário poderá ser prejudicada pela exigência regimental de publicar a decisão no Diário do Congresso. Caso não haja tempo para publicar o parecer aprovado na comissão, a MP terá que ficar fora da pauta.
Ao mesmo tempo, a prudência política não recomenda o embate. Afinal, os dissidentes do PMDB, que somam 20 deputados e dois senadores, lançam esta tarde um manifesto em que prometem sintonia com o povo, e não com a cúpula partidária que defende o mínimo de R$ 151.

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