ACM recebe MST e diz que apóia reforma
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sexta-feira, 11 de dezembro de 1998
Agência Estado 
As principais entidades que lutam pela reforma agrária no País receberam ontem o apoio do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), presidente do Congresso Nacional. O senador recebeu lideranças sindicais e de trabalhadores rurais, condenou o corte no Orçamento de verbas para assentamentos e trocou elogios com João Pedro Stédile, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Dou apoio incondicional à reforma agrária, afirmou o senador aos representantes rurais, num encontro em seu gabinete, em Brasília. Stédile deixou o encontro elogiando ACM. O encontro foi positivo e a posição favorável do senador em relação à reforma agrária nos surpreendeu. Meu sentimento é que de fato ele está comprometido com a causa, afirmou.
Segundo o líder do MST, ACM disse que enviaria a ele um discurso que fez em 1981 elogiando a reforma agrária. Pedi que nos enviasse logo uma cópia para panfletarmos por aí, brincou o líder do MST. De acordo com Stédile, o senador definiu-se como o único reacionário com posições de esquerda.
O presidente do Congresso disse que concorda com as posições adotadas por Stédile durante o encontro com representantes do Fórum Nacional pela Reforma Agrária e Justiça no Campo envolve as principais entidades representativas de sem-terra e de trabalhadores rurais, como o MST, a Confederação dos Trabalhadores da Agricultura (Contag), Comissão Pastoral da Terra (CPT), entre outras.
O presidente da Contag, Manoel José dos Santos, afirmou que o corte de 38% do orçamento do Incra irá inviabilizar de vez a reforma agrária no País. Com o corte, o total o Orçamento do Incra para o ano que vem irá diminuir de R$ 2,2 bilhões para R$ 1,3 bilhão.
As entidades conseguiram o compromisso do presidente do Congresso em realizar uma audiência pública em janeiro para discutir o Banco da Terra, criado pelo governo federal para financiar a reforma agrária, concedendo empréstimo do Banco Mundial aos sem- terra.
Esse processo não é a desapropriação prevista pela Constituição. É atender interesses dos latifundiários, disse d. Tomás Balduíno, presidente da Comissão Pastoral da Terra. Na avaliação do fórum, o Banco da Terra cria a reforma agrária de mercado e a tranforma num negócio imobiliário.


