Brasília, 23 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), recebeu, no início da noite de hoje, uma fita com gravações que supostamente comprovariam casos de corrupção na Justiça do Amazonas.
Numa das conversas, é oferecido ao juiz Diógenes Vidal Pessoa Neto, da 3ª Vara Cível de Manaus, R$ 50 mil para que ele torne ágil um processo. Caso a denúncia seja comprovada, ACM poderá usar o caso na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deverá ser criada para apurar irregularidades do Judiciário.
A gravação foi entregue a ACM pelo advogado Juan Bernabeu Céspedes. "O meu cliente está sendo prejudicado neste processo", afirma o advogado. "O senador garantiu-me que iria apurar essa denúncia", completou Céspedes.
Num dos trechos da conversa, um amigo do juiz, identificado apenas por Ricardo, pede para Pessoa Neto "dar uma arrepiada (imprimir maior agilidade) nesse negócio, prá ver se sai uma beirinha (propina)". Logo depois, Ricardo é mais incisivo. "Dá uma arrepiada boa aí, que agora não tem como o cara fugir, é 50 pau (sic), bicho", sugere Ricardo, que é identificado apenas como vendedor de carros.
Segundo Céspedes, está evidente a parcialidade do juiz nesse processo. "Tudo que a autora do processo pede é deferido, já que o juiz sequer cobra provas e simplesmente atende ao pedido do amigo", denuncia o advogado. Apesar de o grampo ter sido feito sem autorização judicial, Céspedes acredita que a gravação pode comprovar que existe corrupção na Justiça do Amazonas.
No processo em que Céspedes está advogando, a autora Zilda Corrêa de Moraes cobra um pagamento de R$ 95 mil que era devido pelo cliente dela, Raimundo Gomes Lôbo. Segundo Céspedes, Zilda recebeu R$ 127 mil. Mesmo assim ela está querendo outros R$ 70 mil. "Já está para sair um mandato de prisão contra o meu cliente", observa o advogado. "Mas ele não tem mais condições de pagar." Em relação à gravação, Céspedes disse não saber a origem da fita.

mockup