ACM recebe apoio de governadores nordestinos no caso Ford
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quinta-feira, 08 de julho de 1999
Por ¶ngela Lacerda e Regina Terraz 
Recife, 09 (AE) - Os nove governadores do Nordeste anunciaram hoje apoio à concessão de benefícios fiscais para que a montadora Ford se instale na Bahia. "Entre o Mercosul e o Nordeste, eu fico com o Nordeste", disse o governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), durante o encontro de governadores na sede da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene)
no Recife. Na avaliação dos governadores, o presidente Fernando Henrique Cardoso deveria sancionar a lei que concede tais benefícios.
Eles entendem que o apoio à instalação da Ford na Bahia é um gesto concreto em favor da descentralização industrial no País. "A defesa não é da Bahia, é do Nordeste, é pelo deslocamento do eixo industrial do Sul e Sudeste", argumentou o governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB). "Não se trata de fazer o jogo da Bahia, este jogo é do Nordeste", reforçou o governador de Sergipe, Albano franco (PSDB).
Embora os governadores garantam que a decisão não tem nenhum caráter político, ela, na prática, fortalece o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), que pressiona o presidente Fernando Henrique Cardoso pela concessão das isenções fiscais. O presidente teme comprar uma briga com a Argentina se sancionar a lei já aprovada pelo Congresso. Isso porque os benefícios aprovados para a instalação da Ford na Bahia - onde estão previstas isenções fiscais estaduais, federais e pelo menos R$ 700 milhões de financiamento do BNDES para a montadora - fere o acordo firmado entre o Brasil e o Mercosul. A lei aprovada pelo Congresso em favor da Ford contraria também regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Aliado do presidente, Tasso não acredita que o apoio vai colocar Fernando Henrique em situação difícil. "O apoio dará ao presidente respaldo político e maior força numa eventual negociação com o Mercosul." Na sua opinião, FHC poderá jogar a responsabilidade pela manutenção dos benefícios nas costas dos governadores.
Porta-voz da reunião, o governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB) disse estar à vontade na defesa da Bahia porque Pernambuco também disputou a montadora. "É a primeira montadora a se instalar no Nordeste; é uma porta aberta para que outros Estados da região lutem por empreendimentos dessa dimensão", afirmou. "Temos que apoiar tudo o que vem para o Nordeste", emendou a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL). Já o governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB), reivindicou "uma Ford" para cada Estado nordestino. "Se há dinheiro para financiar uma Ford na Bahia, tem que haver dinheiro para uma Fiat na Paraíba", disse.
O governador da Bahia, César Borges (PFL), disse estar confiante na sanção presidencial à lei do regime automotivo. "O que se quer é apenas a prorrogação do prazo de vigência dessa lei", frisou ele. "Não há nenhum benefício adicional". Para ele, "todos os problemas com o Mercosul e a OMC são falaciosos."
A lei do regime automotivo, que aprova benefícios fiscais para montadoras, foi criada em 1997, quando a Asia Motors pretendeu se instalar na Bahia. Na época, a Argentina reagiu e ameaçou entrar com uma ação na OMC. O presidente Fernando Henrique conseguiu contornar a situação, mas o projeto terminou não vingando por problemas financeiros da montadora. O prazo da lei expirou em dezembro daquele mesmo ano. No mês passado, o Congresso reeditou a lei prorrogando esse prazo, a fim de beneficiar a Ford.


