Brasília, 08 (AE) - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, disse que as denúncias de nepotismo envolvendo seu nome, publicadas hoje pelo jornal "Folha de S.Paulo" são de setores da sociedade e de alguns jornalistas incomodados com a sua popularidade. Segundo ACM, pesquisas recentes de opinião pública lhe dão 40% de aprovação, no conceito ótimo e bom e 39% regular. "É dor de cotovelo", afirmou. O senador disse que em toda a sua vida só nomeou parentes duas vezes. Em ambas, o indicado teria sido seu filho, o ex-deputado Luís Eduardo Magalhães, que foi seu oficial de gabinete, quando era prefeito, e em sua segunda gestão, no governo da Bahia.
O senador disse que a indicação de Antônio Maran, citado na reportagem como primo em primeiro grau da mulher de ACM, não tem nenhuma relação com ele, pois apenas sua mulher tem esse mesmo sobrenome. Já a indicação de sua filha, Tereza Mata Pires, durante o governo de Paulo Souto, foi por "seus próprios méritos", segundo ACM. O senador afirmou que Tereza montou o Sistema de Atendimento ao Cidadão no governo do Estado, que está sendo implantado também em São Paulo e que já foi apresentado à área de Administração do governo federal.
Sobre a indicação do advogado Eduardo Jorge Mendes, seu irmão por parte de pai, para desembargador na Bahia, disse que não teve sua influência. Magalhães explicou que na disputa para o cargo há uma eleição direta na OAB ,e que na primeira eleição seu irmão ocupou o terceiro lugar na lista, e não foi nomeado. Em uma segunda eleição, Mendes teria ficado em segundo lugar e foi indicado. Ele afirmou que não teve influência na indicação de seu outro irmão para a Secretaria da Saúde da Bahia. Segundo ele, durante sua gestão no Estado, o irmão, que é catedrático da Faculdade de Medicina, não foi nomeado. A nomeação, afirmou, foi feita pelo ex-governador, Paulo Souto, e mantida pelo atual governador Cesar Borges, com outros seis secretários.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, disse também, em entrevista coletiva, que a denúncia de tentativa de suborno contra o ex-senador João França (PPB-RR) será investigada pela Corregedoria do Senado e que o resultado do inquérito poderá ser entregue à Polícia.
Magalhães não descartou a possibilidade de o assunto ser analisado pela CPI do Judiciário. Ele disse que foi procurado hoje pelo senador Osmar Dias (PSDB-PR) para denunciar que o ex-senador teria lhe oferecido dinheiro em troca do voto favorável à manutenção dos juízes classistas na Justiça do Trabalho. Segundo Magalhães, Dias estava bastante irritado com a insinuação e que havia expulsado França de sua sala. Antônio Carlos Magalhães relatou que um dia antes havia sido procurado por João França que desejava obter da presidência uma carta para retirar um porte de arma. A carta, segundo Magalhães , lhe foi negada.
COMISSAO - ACM tentou rebater a interpretação de que teria sido derrotado com a indicação do deputado Jairo Carneiro (PFL-BA) para a presidência da comissão especial da reforma do Judiciário e não para a relatoria, como era a intenção do partido. Magalhães disse que essa solução foi indicada por ele à comissão, após consulta feita pelo líder do PSDB na Câmara, deputado Aécio Neves. Na opinião de Magalhães, o deputado Aloysio Nunes Ferreira é o melhor relator que a Câmara poderia ter na comissão.

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