Rio, 13 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), rebateu as críticas feitas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso à lentidão do Congresso na aprovação das reformas. "Se ele disse isso, seria extremamente contraditório porque, em várias oportunidades, o presidente tem tido palavras de maior elogio ao Congresso, que não lhe faltou em hora nenhuma", afirmou o senador, que foi informado pelos jornalistas do discurso de Fernando Henrique, ao deixar o fórum especial organizado no Rio pelo ex-ministro do Planejamento João Paulo dos Reis Velloso.
Ele admitiu que nem sempre o Congresso teve rapidez no tratamento das reformas - mas atribuiu ao Executivo a morosidade da reforma tributária. "A democracia tem um preço que nem sempre é o melhor no sentido de agilidade", afirmou. "Na reforma tributária, a culpa (pela lentidão) é mais do Executivo do que do Congresso porque o governo não teve tanto empenho na aprovação."
No caso da reforma da Previdência, citada especificamente por Fernando Henrique na crítica ao Congresso, o senador lembrou que as medidas complementares da regulamentação foram encaminhadas pelo Executivo à Câmara há poucas semanas.
"O Congresso tem feito todas as reformas econômicas e só falta fazer a reforma política", apontou.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que participou com ACM do mesmo seminário, também culpou o governo pelo atraso nas reformas. "O maior responsável pelos atrasos das votações é a base governista, e o próprio Fernando Henrique levou um ano e meio discutindo o direito à reeleição, quando podia ter se dedicado a discutir outras reformas", afirmou.
O mesmo ponto de vista foi defendido pelo deputado Augusto Nardes (PPB-RS), coordenador da bancada ruralista. Ele lembrou que as cinco últimas sessões da Câmara foram obstruídas pelos líderes do governo - e deu o tom de como vai repercutir no Congresso as críticas do presidente. "Pega mal o que ele disse", resumiu Nardes. "O Congresso tem boa-vontade, está aprovando tudo o que o governo quer." Para ele, a repercussão negativa das críticas podem facilitar o trabalho. "Acho que o discurso do presidente vai facilitar a aprovação do refinanciamento dos créditos agrícolas", apontou.

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