Brasília, 15 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), reagiu hoje à avaliação do presidente Fernando Henrique Cardoso e reafirmou a importância da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário. Ontem (14), o presidente disse, na Alemanha, que a reforma do Judiciário é mais importante do que a CPI.
"Não sei o que aconteceu - se ele (Fernando Henrique) mudou em virtude das alturas da viagem, até porque ele sempre achou mais produtiva a CPI do Judiciário (no Senado) do que a comissão de reforma do Judiciário criada na Câmara", queixou-se
lembrando que fora o próprio presidente quem "mais" o estimulou a instalar a comissão no Senado.
Segundo Magalhães, o presidente entendia que a comissão de reforma, na Câmara, só funcionaria com o material que viesse a ser enviado pela CPI do Senado. Para ele, as declarações de Fernando Henrique demonstram que ele "retomou ao mal vezo" de comentar fatos do País quando está no exterior. "Reclamei algumas vezes e algumas crises foram superadas", lembrou.
"Mas sempre ficava a mania dele de ter falado errado no exterior", atacou o presidente do Senado, lembrando que não precisa de estímulo "para combater o bom combate".
Além de responder ao presidente, Magalhães cobrou hoje mais colaboração dos partidos de oposição e da mídia. Com os trabalhos ofuscados pelo andamento da CPI do Sistema Financeiro - que está investigando denúncias de irregularidades e corrupção no Banco Central (BC) -, a CPI do Judiciário não tem ganhado o destaque esperado pelo senador baiano. ACM reafirmou que o objetivo da comissão é o de reformar o Poder Judiciário e confirmou que serão ouvidos juízes, desembargadores - alguns que estão dispostos a prestar depoimentos -, procuradores e representantes do Tribunal de Contas da União (TCU).
O presidente do Senado lamentou o fato de a CPI do Judiciário ter limitações, como a de não poder questionar sentenças judiciais. "Se tivermos prova de que uma sentença foi vendida, ela não pode ser questionada?", indagou. ACM aproveitou para também reclamar do comportamento de senadores do bloco de oposição e pediu que a imprensa dê a essa CPI o mesmo espaço dado à do Sistema Financeiro.
Ao comparar as duas comissões, Magalhães observou que a do Judiciário não tem o poder de tornar indisponíveis os bens de um tribunal, enquanto a dos Bancos pode fazer isso com os bens dos controladores das instituições financeiras. O senador disse que, apesar disso, a CPI do Judiciário estava dando resultados antes de entrar em funcionamento, pois, "hoje, já se sabe que um juiz não é intocável".

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