São Paulo, 31 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que pretende dar continuidade à tramitação do projeto de combate à pobreza, no retorno às atividades, a partir de amanhã (01), quando deve receber alta médica. Ele informou que o projeto deve ser votado ainda esta semana na comissão do Senado. "O Brasil não deve descansar enquanto não fizermos nada para melhorar a distribuição de renda no País." Ele reafirmou que abriu mão do projeto para que todos fizessem uma proposta única e acrescentou que o presidente Fernando Henrique Cardoso aprova a idéia, até mesmo com a intenção de destinar parte das verbas arrecadas com a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF).
O senador afirmou também que o deputado Luiz Estevão (PMDB) deve ser julgado ainda este ano pela Comissão de Ética da Câmara ou pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ele afirmou que o deputado foi praticamente condenado pelo relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a construção milionária do Fórum trabalhista de São Paulo.
Foi aberto também, segundo ele, inquérito no STF, no qual, porém, o julgamento não deve ser político. "Luiz Estevão deve ser julgado este ano, ou na Câmara ou no STF", afirmou.
ACM defendeu também a formação de uma coligação para a disputa da Prefeitura de São Paulo este ano, mas ressaltou que apóia apenas a união que "dê resultados positivos". O nome do partido, segundo ele, para a disputa seria o do senador Romeu Tuma (SP). ACM acrescentou que as divergências entre ele e o governador Mário Covas (PSDB) podem dificultar eventuais coligações entre o PFL e os tucanos.
ACM disse ainda que a reforma tributária não será uma "panacéia" que vai resolver todos os problemas do País. Ele avalia que o governo, em matéria de reforma tributária, obteve ganhos com outras leis e, por isso, não tem se esforçado muito pela aprovação da matéria. Ele disse que Fernando Henrique, recentemente, "tomou a bandeira" da reforma e está interessado na aprovação. Mas o senador argumenta que a questão mexe com Estados, municípios e União e que não é fácil conciliar as opiniões de 512 deputados e 81 senadores. Desta forma, ele acha que a reforma ainda deverá ser muito discutida. "Ninguém vai receber a reforma como um pacote feito pela comissão", afirmou, explicando que, possivelmente, haverá alterações. Ele acrescentou que o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), está procurando adiantar o assunto e que ele fará o mesmo.
"Todos tem que ser ouvidos; mas eu não posso apressar a questão além da vontade dos parlamentares", justificou. O presidente do Congresso disse que pretende fazer o Senado votar todos os assuntos previstos na convocação estraordinária do Congresso e ainda os projetos que tenham vindo da Câmara. ACM deve ter alta amanhã e seguirá para Brasília para presidir o Senado. Ele está desde o dia 22 em São Paulo, tratando de um início de pneumonia. O senador se disse completamente recuperado e negou que tenha pensado em se aponsentar. "Só pararei quando não tiver mais votos." Ele negou também que esteja pensando na Presidência da República em 2002. "Acho que a missão não é muito fácil; se fosse fácil, eu candidataria-me", desconversou.

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