Brasília, 08 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que o combate ao crime organizado deve ser feito com o combate à pobreza. "Se combatermos a pobreza, vamos ter menos crime", argumentou, ao comentar a iniciativa do governo de criar uma força-tarefa móvel
inspirada na Operação Mãos Limpas italiana, para desarticular o crime organizado nos Estados. Segundo ele, o alvo desse esquema devem ser "os tubarões do crime e não as piabas".
"Tubarão são aqueles que se cevam do narcotráfico, que não aparecem nunca e só se prendem piabas", explicou. Para ele, o combate à pobreza vai propiciar a diminuição das desigualdades regionais e sociais do País, "tornando a sociedade mais homogênea e certamente mais igual". ACM classificou de "muito criminoso" o quadro formado pela desigualdade e "pelos braços cruzados das elites brasileiras em relação ao combate à pobreza".
Para o senador, o Congresso poderia dar sua colaboração na desarticulação do crime organizado no País mantendo em funcionamento uma comissão encarregada de examinar propostas que facilitem o trabalho do governo. O modelo da comissão seria o mesmo que ele espera ver adotado na busca de soluções contra a pobreza. Entre as providências que os parlamentares podem adotar
ACM citou o exame do Código Civil e do Código Penal e do projeto que torna mais rigorosas as normas de controle do porte de arma.
Ele criticou a decisão do governador do Distrito Federal, Joaquim Roriz (PMDB), de extinguir o programa adotado por seu antecessor Cristovam Buarque, chamado Bolsa-Escola, que garante alimentação às famílias carentes que mantiverem os filhos na escola. Na avaliação do senador, "trata- se de uma decisão inteiramente errada porque se trata de um programa vitorioso".

mockup