ACM promete dia de trégua na polêmica com Jader Barbalho
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segunda-feira, 03 de abril de 2000
Por Ariosto Teixeira 
Brasília,4 (AE)- O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), prometeu para hoje um dia de trégua na polêmica que iniciou na semana passada com o presidente e líder da bancada do PMDB, senador Jader Barbalho. O líder do governo no Congresso, deputado Arthur Virgílio (PSDB-AM), disse que o senador assumiu o compromisso de "não se pronunciar hoje sobre esse tema". Virgílio e o líder do governo no Senado, José Roberto Arruda (PSDB-DF), procuraram ACM em nome do presidente Fernando Henrique Cardoso em busca de uma solução conciliadora.
Do mesmo modo, Jader Barbalho disse aos dois líderes que "passará ao largo" da polêmica se não for alvo de um novo ataque pessoal da parte de ACM. O governo teme que a virulência dos ataques verbais entre os dois senadores contamine o ambiente político e afete o resultado das votações no Legislativo. Apesar do compromisso assumido, ACM não pretende manter essa trégua por muito tempo. A assessoria do presidente do Senado diz que ele voltará a se pronunciar amanhã ou depois, em entrevista ou através de pronunciamento da tribuna.
Poder - Embora a causa inicial do conflito entre os senadores Antônio Carlos Magalhães e Jader Barbalho tenha sido a discussão sobre a capacidade do sistema previdenciário de absorver um reajuste maior do que o governo diz que pode conceder, a sua verdadeira origem parece ser outra: a divisão do poder parlamentar entre o PMDB de Jader e o PFL de ACM. Os dois partidos dividem entre si, desde 1994, o controle das mesas da Câmara dos Deputados e do Senado Federal, com base em um acordo político informal que se estenderia até 2002. A formação de um bloco parlamentar entre o PMDB e o PSDB na Câmara tornou-se uma ameaça ao cumprimento desse acordo que, teoricamente, daria ao PMDB o direito de eleger, em fevereiro de 2001, o sucessor de ACM, e ao PFL o de eleger o sucessor de Michel Temer (PMDB-SP). Com maioria no Senado e possibilidade de formar maioria também na Câmara, o bloco PMDB-PSDB pode eleger Jader, sem necessidade dos votos da bancada do PFL, e um candidato do PSDB na Câmara.
Se isso acontecer, o PFL ficará de fora do centro do poder parlamentar pela primeira vez desde a redemocratização em 1985. Esta seria, portanto, a interpretação correta para o comportamento de ACM, que ao levantar objeções morais à conduta de Jader Barbalho, estaria, apenas, vetando uma pretensão pessoal e não o acerto político do PFL com o PMDB. O candidato de ACM para sucedê-lo é o ex-presidente da República e do próprio Senado, José Sarney, que é do PMDB do Amapá. Na Câmara, o PFL deseja substituir Temer por Inocêncio Oliveira (PE).


