Brasília, 26 (AE) - O presidente Fernando Henrique Cardoso reuniu-se na noite de domingo com o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), para discutir dois assuntos que incomodam ao governo: o risco de a CPI dos bancos investigar "fatos inexistentes" e o relaxamento na votação de matérias de interesse do governo. ACM incluiu na relação de fatos classificados como "inexistentes" a tentativa de membros da CPI dos bancos de convocar para depor o ministro da Fazenda, Pedro Malan. Segundo ele, não há nenhuma razão que justifique a convocação do ministro. "Malan não está envolvido em coisa alguma", afirmou, ressalvando que procedimentos dessa natureza "fazem mal ao Brasil".
Sobre a lentidão na votação de assuntos considerados prioritários, ACM disse que a demora deve ser evitada para que não ocorra no Congresso o que acontece na Justiça brasileira, onde não há prazo para votação de processos. "Senão, vão dizer de nós o que eu digo do Judiciário". Para o presidente do Senado, os parlamentares devem agir simultaneamente, participando das CPIs e se empenhando nas votações de assuntos necessários ao País. Além da reforma política, estão na pauta de prioridades do governo os projetos da lei de responsabilidade fiscal, da criação do Ministério da Defesa e os que regulamentam a reforma administrativa, aprovada no ano passado.
Com a iniciativa de conversar com ACM e outros líderes, que serão chamados separadamente, o presidente tenta remediar a falha de ter deixado vago o cargo de líder do governo no Senado e no Congresso. Os cargos estão sendo ocupados provisioriamente pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP) e pelo deputado Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR). A mensagem presidencial confirmando esses ou outros nomes é aguardada desde o início de janeiro, mas até agora Fernando Henrique não se manifestou sobre o assunto.
Com isso, o trabalho de convencimento na Câmara, para impedir o engessamento da pauta, será feito pelo líder do governo Arnaldo Madeira (PSDB-SP), que ainda é obrigado a conciliar o interesse de seus colegas pela reforma tributária, a que menos interessa ao governo. A situação de Tuma no Senado é igualmente difícil porque, como provisório, ele não tem como contar com um colégio de vice-líderes que o ajude a impulsionar ou a brecar propostas que não interessam ao governo, como é o caso da CPI dos Bancos.

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