BRASÍLIA - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães, disse que não vai permitir a armação de barracas e ‘‘coisas semelhantes’’ de trabalhadores rurais sem-terra em frente ao Congresso Nacional. ‘‘Aqui em frente só pessoas poderão vir’’, avisou. A marcha que os sem-terra estão promovendo pelo País deverá chegar a Brasília no dia 17 de abril, quando completará um ano do assassinato de trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás (PA).
Logo depois de assumir a presidência do Senado, Antônio Carlos Magalhães anunciou que permitiria apenas manifestações ‘‘pacíficas e ordeiras’’ no gramado em frente ao Congresso. Na semana passada, ele mandou uma carta ao governador do Distrito Federal, Cristóvam Burque, que é filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), comunicando a decisão do Senado.
Ao ser questionado sobre a possibilidade de um conflito com os sem-terra, ACM disse que não teme nada. Frisou, entretanto, que, se isso ocorrer, não seria problema, porque um país não pode ficar a vida inteira indefinido em relação a posições. ‘‘Acho que o País está precisando de uma reforma agrária, mas a ordem precisa ser mantida’’, disse.
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) Gilmar Mauro disse ontem que o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães, ‘‘não tem moral para impedir que os trabalhadores se manifestem’’ na frente do Congresso Nacional.
‘‘Ocupar terra também é proibido e no entanto nós ocupamos’’, afirmou. Para o dirigente do MST, a frente do Congresso, lugar programado para a manifestação no final da marcha do movimento, é um local público. ‘‘É com esse direito que vamos nos manifestar. Ele não manda naquela praça. Aquilo é do povo. Ele é apenas um senador e o presidente do Senado’’, afirmou.

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