Brasília, 13 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), cobrou hoje do presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito que investiga irregularidades do Judiciário, senador Ramez Tebet (PMDB-MS), resultados concretos e empenho nos trabalhos da CPI. Amanhã (14), será o primeiro dia de trabalho da CPI, instalada na semana passada depois de um requerimento apresentado pelo próprio ACM. "Fiz discurso, apresentei o requerimento e colhi as assinaturas, agora cabe apenas a comissão, presidida pelo senador Ramez Tebet cumprir o seu dever", discursou ACM.
Ele disse que a CPI não pode deixar 87% da pessoas que apoiam a investigação do Judiciário - segundo uma pesquisa do instituto Vox Populi - "sem o consolo de ter o Congresso ao seu lado". A cobrança de ACM foi feita durante discurso em que respondeu ao senador Pedro Simon (PMDB-RS, que o questionou sobre uma "carta ameaçadora" enviada ao jornalista Paulo Cabral, diretor-presidente do jornal Correio Braziliense.
Pedro Simon criticou a postura do senador baiano de ter enviado na semana passada uma carta para Paulo Cabral com papel timbrado da presidência do Senado. "Considero isso um equívoco", disse Pedro Simon. Na carta de apenas três linhas e publicada na primeira página do Correio Braziliense, ACM avisa: "Não faça molecagem comigo. Eu sei reagir". A carta era uma resposta à diretoria do jornal, que publicou editoriais constrários à instalação de uma CPI do Judiciário e matéria em que listou 11 parentes de ACM empregados no governo da Bahia e na prefeitura de Salvador.
Hoje, Antonio Carlos Magalhães reconsiderou as críticas ao jornalista Paulo Cabral, que é o presidente da Associação Nacional dos Jornais (ANJ), mas voltou a rebater a matéria do Correio. "Hoje vejo que a orientação da matéria não é de Paulo Cabral, mas sim de pessoas que sentem inveja e que ficam tristes quando pessoas se elevam, sobretudo no conceito popular", avaliou ACM. Depois da crítica de Simon, que pediu mais "serenidade", o próprio presidente do Senado admitiu ter usado "uma palavra mal colocada" na carta enviada ao Correio. "Eu concordo que o momento é de serenidade para toda a casa", avaliou.
Amanhã (14), será apresentada à CPI o roteiro de trabalho proposto pelo senador Paulo Souto. Segundo o vice-presidente da Comissão, senador Carlos Wilson (PSDB-PE), a CPI deverá ter um "caráter itinerante", com visita feita aos Estados onde existem denúncias de irregularidades. O primeiro local a ser visitado deverá ser a sede do Tribunal Regional do Trabalho da cidade de São Paulo. No roteiro de trabalho, Souto deverá pedir inclusive a requisição para exame da escritura de compra e venda entre a Incol Incorporações S/A, que está construindo o prédio e o TRT de São Paulo. Até agora já foram gastos R$ 230 milhões na construção do edifício que ainda está inacabado.

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