ACM nega abalo em relações do Congresso e governo
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domingo, 08 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 09 (AE) - Ao contrário de líderes do PMDB e do PFL, que consideram abaladas as relações do governo com o Congresso, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que nunca endossou essa posição, apesar de a imprensa insistir em apontar eventuais e supostos distanciamentos entre ele e o presidente Fernando Henrique Cardoso; "Quando estou próximo do presidente, então dizem que eu quero mandar no presidente ou que eu mando no presidente", alegou.
"Quando eu fico discretamente afastado do presidente, vocês afirmam que eu estou brigado com o presidente." ACM disse que ficou surpreso com a reclamação dos aliados governistas porque ele mesmo nunca reclamou "de coisa alguma". Mas ele se queixou do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e da equipe econômica, "que precisam ter mais sensibilidade para com a área social".
Segundo ele, Fernando Henrique fez por onde se reaproximar da base política, ao decidir - na reunião que teve sábado (07) com os ministros e líderes - que não mais enviará propostas fechadas para ser votadas e, sim, na forma de questões pontuais a ser debatidas pelos parlamentares. "Assim, fica mais fácil a aprovação", previu. "Aos poucos, o presidente vai conseguindo o que quer." Sobre a possibilidade de o governo encaminhar matérias impopulares, ACM disse que a posição do Congresso será aquela que, na opinião dele, tem se tornado uma prática: "Se a medida for impopular, mas indispensável ao Brasil, não tem porque o Congresso não votar", defendeu. "Se a medida for impopular e não for necessária ao Brasil, não tem porque o Congresso votar."
O senador lembrou que tem apoiado Malan, mesmo nas oportunidades em que ele teve alguma dificuldade. ACM disse que, ainda hoje, reconhece que "ele é um homem de valor". "Agora, ele precisa ter mais sensibilidade para com a área social", frisou. "Não só ele, como a área econõmica no seu total." ACM apoiou a decisão do governo de adiar o envio ao Congresso da proposta de emenda constitucional (PEC), definindo a idade mínima para aposentadoria dos contribuintes do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), rejeitada na Câmara, na votação da reforma da Previdência. Ele disse que acha certo fixar uma idade mínimas, mas que a reação da maioria dos parlamentares contrária à proposta justifica a decisão do governo.
O presidente do Congresso disse que está disposto a conversar com Fernando Henrique, "dentro do espírito do poder para poder, mas, sobretudo, no espírito de amizade que nós temos". "Ainda hoje, li numa revista que foi d. Ruth quem fez minhas pazes com ele", comentou, ao rebater mais uma vez que tenha se distanciado do presidente. "Por aí, você vejam como está tudo doído." Ele voltou a defender a autonomia do Congresso e argumentou que a Casa nunca funcionou como uma agência do governo. "O Congresso tem votado com muita independência", insistiu. "Nunca foi e nunca será agência do governo, seja de Fernando Henrique Cardoso ou de qualquer outro."


