ACM ironiza dificuldades do Ministério do Desenvolvimento
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terça-feira, 07 de setembro de 1999
Por Rosa Costa e Gecy Belmonte 
Brasília, 08 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), foi irônico hoje, ao comentar as dificuldades dos primeiros nove meses do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, que, além de não ter alcançado a projeção inicialmente esperada, está no terceiro ministro, o economista Alcides Tápia. "Se ainda não acabou, é porque não vai acabar", afirmou. ACM disse esperar que, daqui para frente, o ministério tenha um futuro melhor. Sobre o ministro, ele disse que, por não o conhecer bem, não pode opinar além do que ficou sabendo quando da indicação - que ele tem um bom currículo.
O presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), também foi sucinto nos comentários sobre a escolha de Tápias. Ele lembrou que quem escolhe os ministros no regime presidencialista é o presidente. "Não tenho direito nem de gostar nem de não gostar do nome escolhido", justificou. O líder disse que seria preconceituoso da parte dele avaliar o desempenho de Tápias antes dele assumir o cargo.
Na avaliação do senador Pedro Simon (PMDB-RS), o presidente Fernando Henrique Cardoso tinha à mão nomes mais identificados com o setor produtivo do empresariado nacional, como o do presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Andréa Calabi.
"Tanta gente para ele escolher e foi logo nomear um ex-banqueiro e empreiteiro", queixou-se Simon, referindo-se à carreira de Tápias no Bradesco, onde trabalhou por mais de 30 anos, tendo chegado a vice-presidente da instituição, e à passagem como presidente do Grupo Camargo Correia, cargo que ocupava até o convite para o ministério.
Na opinião do senador, a ligação de Tápias com os setores financeiro e da construção civil pesada poderá afetar o julgamento do ministro ao definir as prioridades de investimentos necessários para o crescimento do País.
Simon também criticou os critérios do presidente na escolha dos ministros da "cota pessoal". Na opinião do senador
o presidente deveria escolher para ministros profissionais de notável competência e não amigos.
"É preciso acabar com esse negócio de cota pessoal", julgou Simon, avaliando que as escolhas pessoais do presidente, como a do ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior Clóvis Carvalho não deram certo.
O ministro extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann, esteve hoje no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio para se despedir de Carvalho.
Jungmann lamentou a saída de Carvalho que, segundo o ministro, conhecia profundamente a máquina do governo e tinha muita contribuição a dar.
Com relação a Tápias, Jungmann disse que o conhece há algum tempo. Ele define o novo colega como competente e dedicado naquilo que faz.


