Brasília, 21 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ironizou hoje as análises de que estaria politicamente fraco. "Eu gosto muito do presidente Fernando Henrique Cardoso, gosto muito do seu governo, mas, na Bahia, independentemente do governo, eu elejo-me senador ou governador", afirmou.
Segundo o senador, "se um político que tem a segurança de se eleger governador ou senador é fraco, então, quem é forte?" ACM disse que, se vier a ocorrer impasse em torno da fixação do novo valor do salário mínimo, mesmo que haja possibilidade de derrota da proposta dele (um mínimo em torno de 180 reais), ele ficará com o povo, "pois é o povo quem me elege".
ACM disse ainda que não acredita que o governo venha a editar uma medida provisória (MP) fixando o salário mínimo em 150 reais. Ele lembrou, no entanto, que, se o governo fizer isso
procedimento que ele não considera ideal, o Congresso deixará a MP "prontinha até 1 de maio". "Ninguém duvide, não", acrescentou. Na avaliação do senador, uma eventual emissão de MP não significaria uma ruptura de negociações entre o governo e o Congresso. Ele lembrou que, se vier uma MP, o Congresso irá examiná-la. Se tiver um bom valor para o mínimo, poderá aprová-la. Mas, se aprovar um valor ruim, "será o desapreço da nação". ACM reafirmou que 150 reais não é um bom número.
O Congresso, segundo o senador, pode fazer também um projeto de resolução, mesmo com a MP. O senador menosprezou ainda as avaliações da equipe econômica segundo as quais um reajuste elevado do salário mínimo poderia comprometer as metas de inflação acertadas com o Fundo Monetário Internacional (FMI).
"O Brasil deve tentar cumprir o acordo com o FMI; mas, em primeiro lugar, deve cumprir o compromisso com o povo brasileiro; e o FMI, no caso, é secundário", disse o senador.
As negociações entre o governo e o Congresso em torno do reajuste do salário mínimo prosseguem, afirmou ACM. "Nunca se negociou tanto e nunca se falou menos", disse.
Ele defendeu o ponto de vista de que todas as partes cedam um pouco para se encontrar um valor razoável. "Isto é da política; a transigência é um princípio da política; a intransigência não é da boa política", acrescentou.
O limite da transigência, segundo o senador, é não deixar que ela prejudique a massa dos trabalhadores. Magalhães relatou ter conversado sobre o salário mínimo não apenas com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, mas também com o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem disse que falou na quinta-feira (16). O senador previu que o novo valor do mínimo estará definido ainda esta semana ou, no mais tardar, na próxima.

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