São Paulko, 23 (AE) - O ex-prefeito de Porto Alegre, Tarso Genro (PT-RS), disse hoje que o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) está fazendo demagogia pré-eleitoral ao propor a criação de uma imposto para combater a pobreza. Genro também criticou as declarações de ACM contra o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou fazer uma frase de mau gosto: O imposto contra a pobreza do senador ACM só pode ser mais uma malvadeza".
Na avaliação de Genro, ACM é um líder oligárquico, atrasado e conservador. Segundo ele, o sebador só tem o controle político do País porque existe pobreza. "Lideranças como ACM não seriam viáveis numa sociedade onde houvesse emprego, cultura e cidadania. Ao criticar Lula, ACM diz exatamente o que a história do País vem desmentindo", disse. Ontem (22), ACM declarou que Lula só existe politicamente porque existe pobreza no País.
"Na verdade, é mais uma agressão que ACM fez para aproveitar o espaço que ele tem na mídia", afirmou o ex-prefeito. Genro lembrou que o resultado das eleições no Rio Grande do Sul, um dos Estados com melhor nível cultural e de cidadania do País, o candidato petista, Lula, sempre é bem votado. "Ao contrário do partido do senador ACM, que sempre vai muito mal", disse. Para ele, a alternativa ao imposto antipobreza proposto por ACM seria a implantação de um projeto de desenvolvimento para o País, que viesse a contemplar o mercado de massas, gerasse emprego e protegesse o investimento produtivo. "Aí, sim, vamos ter uma luta contra a pobreza. O resto é simplesmente demagogia de pré-candidaturas eleitorais. Já estamos saturados de impostos", disse. Ford - Sobre o caso Ford, Genro afirmou que o problema não é novo, é apenas um evento particular de uma questão mais ampla, que é a guerra fiscal. Segundo ele, o País tem uma legislação ordinária que permite a guerra fiscal, fator determinante da postura predatória dos governos estaduais para atrair investimentos. "A Ford, hoje, é praticamente uma estatal. Está sendo bancada com o capital público", afirmou.
Segundo o ex-prefeito gaúcho, falta ao País um projeto de desenvolvimento industrial que harmonize o movimento do capital. "O capital deve se alocar regionalmente de acordo com os interesses públicos, e não de acordo com o interesse de grupos políticos locais, que, em última instância, impulsionam essa guerra fiscal", disse. Genro participa de um encontro nacional que reúne funcionários de bancos públicos, realizado no Memorial da América Latina, em São Paulo. O ex-prefeito de Porto Alegre também é coordenador do Conselho Político da Frente Democrática e Popular, e membro da Executiva Nacional do PT.
Na parte da manhã houve um debate sobre a privatização dos bancos estaduais. Além de Genro, participou o economista Carlos Eduardo Carvalho, professor da PUC. Cerca de 900 bancários participam do debate.

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