ACM e Temer viajam para Portugal brigados
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segunda-feira, 14 de junho de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 15 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), voltou hoje a colocar em dúvida a reputação do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ao afirmar que o deputado "ficará péssimo" se for aberto um inquérito para investigar irregularidades no Porto de Santos. Ele disse que Temer não abre mão de influir no controle das Companhias Docas de Santos, apesar de a coerência atribuir essa prerrogativa "ao grande político de Santos, Mário Covas". "Um líder que poderia ter influência nas docas seria o governador Covas, que é de lá, mas vejam que ele não se interessa por isso", justificou. "Se o ¶ngelo Calmon de Sá é desonesto, o lugar dele não é comigo, é com o Temer", afirmou, referindo-se ao fato de o deputado ter sugerido que ele fosse cuidar do ex-proprietário do Banco Econômico, que faliu em condições suspeitas.
Coincidentemente, no momento em que menos se entendem os presidentes da Câmara e do Senado vão representar o Brasil em Portugal, no Parlamento dos Países Ibero-Americanos. Eles viajam amanhã (16) e retornam na semana que vem. ACM descartou a possibilidade de se reconciliarem nessa ocasião, alegando que "se não existe (conciliação) aqui na terra, como é que vai existir no ar".
Segundo ele, o episódio não prejudicará o presidente Fernando Henrique, porque se restringiu aos critérios que tem adotado ao longo de sua vida política "de falar com absoluta lealdade sobre todos os assuntos". À tarde, ao responder às novas acusações do presidente da Câmara, o senador negou que tenha o domínio do setor elétrico do País, mas lançou suspeitas sobre as passagens de Temer na Secretaria de Segurança Pública de São Paulo e na Promotoria do Estado.
Para ACM, o interesse de Temer pelos cargos das docas de Santos será explicado no dia em que for feita uma investigação sobre o assunto."Procurem ver as razões por que uma pessoa se interessa por um cargo dessa ordem", sugeriu. "Procurem ver por que as pessoas se interessam pela Receita Federal, por cargos de diretor da Petrobrás, por cargos das docas de Santos e aí você vão encontrar tudo."
Ao chegar hoje ao Senado, ACM fez questão de dizer que não pretende recuar para encerrar o atrito com Temer. "Ele fez uma nota pesada agredindo o presidente do Senado e o presidente do Senado reagiu a suas agressões", afirmou. "Principalmente porque ele quis se comparar a mim em moralidade e nisso ele toma de dez a zero." ACM disse que reagirá a Temer todas as vezes em que ele adotar um procedimento como o do dia anterior, de sugerir que o senador "fosse cuidar do ¶ngelo Calmon de Sá", cuja administração levou à falência o Banco Econômico, de sua propriedade. "Não me dou com doutor ¶ngelo, fiz um processo contra ele, que está na minha gaveta e no qual ele se retratou em juízo", afirmou o senador.
OAB - O presidente do Senado também criticou a posição do presidente na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Reginaldo de Castro, com relação à reforma do Judiciário. Segundo ele, o advogado e a OAB de quase todo o País estão defendendo interesses corporativistas. "Ninguém quer melhorar o Brasil", disse. "Essa Justiça do Trabalho do juiz Nicolau e tantos outros parecidos com ele precisa continuar?", perguntou. O senador disse que não ficará com remorsos de no futuro ter prejudicado gerações e gerações por ter mantido a atual justiça trabalhsita. Ele voltou a condenar a idéia, defendida por Michel Temer, de substituir os juizes classistas por juízes de conciliação, alegando que a medida "tem a repulsa do Brasil e da imprensa brasileira".


