São Paulo, 10 (AE) - Inimigos políticos há mais de 20 anos, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, vão sentar-se à mesma mesa, em 18 de outubro, para participar do Seminário Os caminhos do crescimento e o combate à miséria. Detalhe: quem fez o convite a ACM foi o próprio Lula. O debate será promovido pelo Instituto Cidadania, a organização não-governamental (ONG) ligada ao PT e comandada por Lula, e pela Trevisan Auditores e Consultores. A iniciativa abriu uma crise na seara petista.
"Se o ACM entrar na sede do PT, corre o risco de ser apedrejado", afirmou um dos vice-presidentes do PT, Valter Pomar. Embora dizendo que o Instituto Cidadania "não tem nada a ver com o PT", Pomar qualificou o seminário de "inconveniente". Integrante da facção Articulação de Esquerda, ele foi irônico: "ACM não tem nenhuma contribuição a dar porque só entende de impedir o desenvolvimento e ampliar a pobreza."
Depois de definir o presidente do Congresso como "filho e patrocinador do regime de exclusão social", o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), saiu em defesa do senador. Ao saber da declaração de Pomar, Genoíno procurou amenizar a crítica. "Nós temos de apedrejar o ACM nas idéias, e não fisicamente", observou. Para o deputado, é até bom que o seminário seja polêmico.
"Isso mostra que o PT não tem medo do debate", argumentou Genoíno. "É preciso instalar o confronto, o contraditório, se não, fica uma discussão entre iguais."Além de ACM, Lula e o presidente da Trevisan Auditores e Consultores, Antoninho Marmo Trevisan, pretendem convidar para a mesa-redonda o novo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Alcides Tápias.
Trevisan e o economista Guido Mantega serão moderadores do seminário. "O crescimento econômico é indissociável do combate à miséria e, por isso, não só é importante ouvirmos a proposta do senador Antonio Carlos Magalhães como esperamos que o governo diga claramente qual a sua posição", afirmou Mantega.
Ele garantiu que o seminário que reunirá Lula e ACM sob o mesmo teto será em território neutro, e não na sede do PT. Para Trevisan, a iniciativa é interessante justamente por abordar visões diferentes. "Sem contar que a idéia é sair do simples discurso político para o campo da contabilidade, analisando a viabilidade das propostas do ponto de vista financeiro", disse. Ele contou que a consultoria fará esse trabalho depois do debate. "Nossa participação nisso nisso é porque estamos muito envolvidos com o chamado terceiro setor."Pomar não aceita o argumento de que é necessário debater pontos de vista antagônicos. "Esse critério é rídículo", considerou. "Quer dizer que, se fizerem um seminário sobre segurança pública, vão convidar o Hildebrando Pascoal?", perguntou, numa referência ao deputado do PFL acusado de comandar o esquadrão da morte e o narcotráfico no Acre.

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