ACM e Barbalho faltam a posse de ministros
Brasília, 03 (AE) - Não foi um bom sinal para o governo as ausências do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), e do presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), na posse de quatro novos integrantes do governo no início da tarde. ACM e Barbalho são peças importantes para qualquer atuação do governo no Senado, seja porque o presidente da Casa detém o controle da pauta de votações ou porque o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado lidera a maior bancada de senadores. O gesto de ACM foi deliberado, na medida em que ele preferiu ficar no gabinete, a menos de 200 metros do Palácio do Planalto. O líder do PMDB, mesmo ciente de que três representantes do partido assumiriam novos cargos no governo (o senador Fernando Bezerra, no Ministério da Integração Nacional; Ovídio de Angelis, na Secretaria Especial de Políticas Urbanas, e Osmar Terra, na Secretaria Executiva do Programa Comunidade Solidária), só chegou a Brasília no meio da tarde. As declarações de Barbalho marcando a posição do partido também em favor do programa de combate à pobreza, apresentado por ACM, indicam uma tendência de concentração do debate político em torno de um tema que não interessa ao governo, pelas características populistas e eleitoreiras. Os movimentos feitos hoje por ACM e Barbalho não devem ser interpretados, entretanto, como sinal de dificuldades intransponíveis para o andamento do processo decisório no Legislativo. Os partidos que apóiam o governo controlam 67 das 81 cadeiras do Senado, o que significa que o presidente tem na Casa espaço para negociar, até caso a caso, votações de interesse. A posse dos representantes do PMDB e do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferreira, foi prestigiada por governadores do partido, como o de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos, o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (PMDB-BA), e o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). As participações na cerimônia do vice-presidente Marco Maciel, do presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e de grande número de parlamentares do partido revelaram que a posição de ACM não se tornou dominante na legenda. A opção do presidente Fernando Henrique Cardoso por uma cerimônia de posse simples, na qual evitou discursar, como é da tradição nesses atos, foi um registro silencioso do episódio.





