São Paulo, 28 (AE) - O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães afirmou hoje, durante entrevista no programa Roda-Viva
na TV Cultura, que esperava que o governo tivesse aberto inquérito para apurar as irregularidades sobre o Porto de Santos envolvendo o presidente da Câmara, Michel Temer, ou pelo menos, que o tivesse chamado para esclarecer as denúncias.
"Todo mundo diz que eu brigo muito, mas o que precisa ser visto é se eu brigo pelas causas corretas ou não", argumentou. "As brigas são de quem quer resolver problemas crônicos que até agora não foram resolvidos", afirmou.
Ele afirmou que a reforma do Judiciário na Câmara só foi iniciada por causa da CPI do Judiciário no Senado. "A reforma só surgiu com o objetivo de apagar a CPI, sem a CPI a reforma não teria surgido."
ACM negou ser candidato à presidência da República em 2002, mas disse que não descarta essa possibilidade "se as circunstâncias mudarem". Ele afirmou que seu partido terá um candidato próprio na disputa e gostaria que o PFL fizesse novas alianças para que isso ocorra. "Espero que a atual aliança sobreviva o maior tempo possível, mas se essa realidade vai acontecer só o futuro dirá."
Embora negue que seja candidato, ACM faz propaganda do governo da Bahia, onde detém o poder. "É o Estado que deu certo antes do Brasil", afirmou.
Embora não tenha citado nomes, o senador criticou a permanência de alguns ministros do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Há pessoas que estão no ministério não por serem políticos, mas por conta da confiança do presidente e não deveriam estar lá."
Há 13 anos o senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA) não participava do programa Roda-Viva, na TV Cultura. Ele resolveu aceitar o convite num momento em que comprou briga com vários políticos importantes, entre eles o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB) e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Carlos Velloso.
ACM também contribuiu, nos últimos dias, para acirrar a crise entre os partidos aliados ao presidente Fernando Henrique Cardoso ao admitir a hipótese de se lançar candidato à Presidência em 2002.
Em frente ao prédio da TV Cultura, algumas faixas saudavam a passagem do senador por São Paulo, com as frases "Bem-vindo ACM 2002" e "ACM e São Paulo, um caso de amor".

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