ACM diz que tocará projeto contra pobreza até o fim
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quinta-feira, 05 de agosto de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 06 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), está disposto a tocar o projeto do fundo para a erradicação da probreza até o fim, mesmo com a oposição do ministro da Fazenda, Pedro Malan, e as "restrições" da primeira-dama Ruth Cardoso, que coordena o principal programa social do governo federal, o Comunidade Solidária. ACM disse hoje, em Salvador, esperar que, em "cinco, seis anos", os recursos do fundo transformem para melhor a área social do Brasil.
Ele foi criticou os opositores da iniciativa, entre os quais Malan. "Sempre destaquei seus méritos, seu caráter e qualidades, mas, evidentemente, ele vive alheio à pobreza do Brasil, senão o enfoque seria diferente", disse, sem o temor de que a posição do ministro da Fazenda possa prejudicar a tramitação do projeto. "O Congresso é soberano, e o que coloca na Constituição tem de ser cumprido."
Sobre Ruth, com quem conversou rapidamente durante o encontro mantido essa semana com o presidente Fernando Henrique Cardoso, ACM admite que ela deve ter "algumas restrições" ao projeto. "Vamos procurar harmonizar; não sendo possível, faremos, assim mesmo", assegurou, destacando o "bom" trabalho realizado pelo Comunidade Solidária. Ao presidente da Confederação Nacional da Industria (CNI), o deputado Carlos Eduardo Ferreira Moreira (PFL-SP), outro opositor do projeto, o senador reservou o maior ataque. "Até gosto dele, mas ele nunca viu um pobre na rua, pois anda cheio de seguranças e só nos palácios paulistas." ACM recomendou a Ferreira "olhar para os 5 milhões de pobres de São Paulo e não apenas para os empresários da CNI". Ainda sobre o projeto, informou que, na próxima semana, serão escolhidos o presidente e o relator da comissão pluripartidária formada para aprimorar a matéria e apresentar uma proposta de emenda constitucional (PEC) em 90 dias.
Magalhães usou a crise que vive a base de sustentação do governo no Congresso para criticar Fernando Henrique. "O PFL não vai se afastar do governo, mormente agora, que a situação de popularidade não é muito boa." ACM, no entanto, afirmou não existir desentendimento com o presidente. "Nunca brigamos, sempre nos respeitamos e estou satisfeito porque ele cumpriu sua palavra com relação à Ford."
Por outro lado, contra o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), ACM apoiou até um de seus inimogos políticos, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), que está reclamando por causa das medidas protecionistas baixadas pelo tucano.
"Itamar está absolutamente certo, pois a atitude de Covas é contra os interesses do Brasil", disse. "Ele saiu de uma enfermidade grave, com a ajuda de Deus, para poder servir a São Paulo e ao País e deveria estar mais ameno, pois seu sofrimento poderia lhe dar uma noção maior de solidariedade."
ACM acha, contudo, que Covas, "com sua inteligência", vai rever a posição. "Mesmo porque, com isso, ele está informando ao povo brasileiro que não é candidato à Presidência da República." Covas disse hoje que vai encaminhar à Assembléia Legislativa o pedido de revogação do complemento da lei do Simples paulista.
Embora ainda sem admitir que é candidato à sucessão de FHC, Magalhães vem sendo tratado com tal na Bahia. Ele participou de dois eventos, em Salvador, onde bandas, correligionários e empresários o saudaram efusivamente. No Centro de Convenções, lançou com o governador César Borges (PFL) o programa educacional Educar para Vencer. Foi recebido com o refrão "Hei, hei, hei, ACM é nosso rei!" À tarde, Magalhães recebeu homenagen da direção do Banco Bilbao Vizcaya (BBV), que inaugurou um auditório com o nome do filho dele, o ex-líder do governo na Câmara Luís Eduardo Magalhães, que morreu em 1998.
ACM criticou também o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horário Lafer Piva, que teria se posicionado contra o projeto do Fundo para a Erradicação da Pobreza. "Ele ser contra só fortalece o projeto, pois se trata de uma pessoa nada popular", atacou ACM, afirmando que Piva é a favor do clientelismo eleitoral "e a Fiesp, para ele, é muito boa".


