Brasília, 19 (AE) - O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que se depender dele, o projeto que concede perdão de 40% para as dívidas rurais, além de outros benefícios - que está na Câmara - não será aprovado no Senado. Ele lembrou que a Casa vota com independência e que não cabe a ele decidir sobre o resultados das votações. "Mas se eu poder ajudar para que o Senado encontre uma outra maneira, eu ajudarei", afirmou. Para ACM, o Congresso não pode ficar contra a sociedade "por causa de alguns de seus membros que defendem determinados interesses". "É preciso encontrar uma fórmula para que a agricultura seja prestigiada, como precisa ser", defendeu. "Mas que para tanto o governo não seja sangrado como muitos querem".
O senador disse que concordou inteiramente com a decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de vetar o projeto, caso deputados e senadores insistam em aprová-lo. "O presidente vetará se sair uma proposta ruim", previu "E acho que ele fará muito bem se houver exageros beneficiando categorias". ACM entende que nem todos os agricultores que se deslocaram a Brasília para pressionar o Congresso representam a categoria. "Alguns devem representar, outros não", frisou. Ele defendeu um acordo que exclua "aqueles que devem muito e que são contumazes devedores". "Esses devem sair do jogo para deixar que os mais pobres sejam beneficiados".
Depois de considerar ultrapassada a manifestação dos agricultores, com o deslocamento de caminhões e tratores para Brasília - tida por ele como "uma coisa do passado, de antes de 1964, que não deve se repetir" - Antonio Carlos Magalhães voltou a condenar esse tipo de pressão. "Para mim, isso é negativo, pode ser que para outros não seja", admitiu. Sobre a dificuldade em encontrar uma solução que atenda ao governo e ao setor rural, ACM recorreu a uma frase de Oswaldo Aranha - "não há problema insolúvel para a inteligência humana" -, para rebater os que não acreditam nessa possibilidade. "Nós iremos encontrar a fórmula que a inteligência humana pode encontrar para que a agricultura saía fortalecida", previu. "Mas que não sejam beneficiados agricultores que estão acostumados a tomar dinheiro e não pagar".

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