ACM diz que não aceitará invasão do Congresso
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terça-feira, 24 de agosto de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 25 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães, advertiu hoje que não aceitará invasões nas dependências do Congresso. "Ninguém pode entrar na casa de ninguém sem ordem", afirmou. "Nem eu na sua, nem você na minha e que dirá no Congresso", acrescentou o senador, que espera que a manifestação seja democrática e sem ultrapassar os limites. "Não será bom para ninguém, principalmente para as oposições", comentou ele, ao acrescentar que, se os limites forem ultrapassados, "tudo poderá acontecer".
Há pouco mais de um ano, quando ocupava interinamente a presidência da República, o senador convocou o Exército para impedir que os sem-terra subissem a rampa do Planalto. Em virtude desse mesmo episódio, quando os manifestantes quiseram também invadir o Congresso, o senador Antônio Carlos determinou a construção de um espelho dágua ao redor do prédio.
Confronto - O ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, responsável pela segurança do Palácio do Planalto e do presidente Fernando Henrique Cardoso, afirmou que a orientação do governo é de que seja evitado "ao máximo o confronto". Ele lembrou que o Exército estará de sobreaviso, nos quartéis. O general disse ainda que "não dispõe de informações que existam grupos radicais predispostos a fazer algazzara ou balbúrdia". Os indícios que ele tem são de que a manifestação será ordeira e pacífica.
O general Cardoso reiterou que a passeata deverá reunir entre 50 e 60 mil manifestantes e não os cem mil previstos pelos organizadores. "Mas sempre é muita gente", observou ele, ao falar da preocupação do governo com o evento. Lembrou, no entanto, que o importante é que os organizadores da marcha também querem que a passeata seja ordeira.
O presidente do Congresso, por sua vez, considerou "otimista" a estimativa de participantes da marcha do general Cardoso. "Vai ser muito menos, mas a mídia vai dizer que foi mais", ironizou. "Estou achando esse pessoal cansado no meio do caminho e acho até que tem pneu furado", prosseguiu ele, que acredita que passado esse momento, a economia voltará à normalidade e o dólar recuará.
Antônio Carlos Magalhães acha que Fernando Henrique não tem motivos para negociar com os manifestantes. "Essa não é uma maneira correta de protestar", declarou ele ao ressaltar que o presidente não deve abrir o diálogo com os manifestantes. "Ele vai dialogar com quem pede a renúncia dele?", questionou.


