ACM diz que Miranda pode ter usado seu nome em negociação com prefeitura de SP11/Mar, 12:32 Por Rosa Costa Brasília, 11 (AE) - Ao rechaçar novamente as declarações da ex-mulher do prefeito Celso Pitta, Nicéa Pitta - que o acusou de pressionar seu marido para favorecer a empreiteira OAS, de seu genro César Mota Pires - o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), admitiu hoje a possibilidade de seu nome ter sido utilizado indevidamente pelo ex-senador Gilberto Miranda (PFL-AM) em negociações com a prefeitura de São Paulo. "Se o Gilberto Miranda fez vagabundagens por lá, eu não sei", afirmou. Segundo Nicéia, Miranda seria o intermediário de ACM na cobrança de pagamentos que a prefeitura devia à OAS desde a gestão de Paulo Maluf. Para o senador, Gilberto Miranda deveria se pronunciar para esclarecer os fatos. "Se ele tiver um mínimo de caráter, deve dar uma declaração nesse sentido", afirmou. O presidente do Senado reiterou que vai interpelar judicialmente, com pedido de exame de sanidade mental, a ex-primeira-dama de São Paulo. "Se ela não for maluca, vai ser processada", afirmou. As declarações de Nicéa estão na entrevista exibida ontem à noite pela TV Globo. O senador disse que foi surpreendido pela citação de seu nome nas acusações. Ele lamentou que a emissora não tenha lhe ouvido antes de levar o programa ao ar. "Foi falta de ética", reagiu. "É um negócio inacreditável ter a vida que eu tenho e agora ouvir uma coisa dessa". Antonio Carlos Magalhães disse que o ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf, tentou lhe avisar a tarde sobre o teor da entrevista de Nicéa, mas que somente à noite ele soube de seu telefonema. Ele lamentou não ter recebido a informação a tempo de tomar providências para impedir a divulgação de seu nome "de forma tão desastrada". ACM assegurou que nunca ligou para a casa de Pitta. "E agora vem essa burra dizer que eu telefonei para ela", desabafou. Ele informou que - embora não tenham rompido formalmente - há mais de um ano não conversa com Gilberto Miranda. "E se você me perguntar a causa disso, eu não sei", observou. O senador lembrou que chegou a ficar próximo de Miranda, a ponto dele ter trocado o PMDB pelo PFL para compor na sua primeira eleição à presidência do Senado, mas que suas conversas se restrigiam a questões políticas do momento. "Nosso perfil não tem nada em comum", justificou. Sobre a OAS, o senador se queixou das "dores de cabeça" que tem sido obrigado a suportar por causa das ligações familiares com o dono da empreiteira. Segundo ele, o que ocorre na realidade é que a empreiteira tem favorecido a seus adversários políticos no Estado e jamais a ele mesmo. PFL - O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC) divulgou uma nota repudiando as declarações de Nicéa Pitta que atingem ACM. Bornhausen afirma que o "PFL repudia com veemência as calúnias assacadas contra o senador Antonio Carlos Magalhães". Segundo ele, "na sua longa e vitoriosa trajetória na vida pública, ACM sempre se pautou corajosamente na defesa e no interesse do bem comum".