ACM diz que ministério de FHC é um "paulistério"15/Mar, 20:22 Por Gilse Guedes, Isabel Braga e Carmen Kozak Brasília, 15 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), e o governador de São Paulo, Mário Covas (PSDB), voltaram a desentender-se por causa da guerra fiscal. No plenário no Senado, ACM disse que é "escandalosa" a política de favorecimento de órgãos públicos e de instituições financeiras a São Paulo. Ele aproveitou para atacar a equipe do presidente Fernando Henrique formada, segundo ele, por "homens de São Paulo" e disse que o Brasil transformou-se em um "paulistério". "O Brasil é um só, não pode continuar com esse 'paulistério', com todas essas instituições financeiras dominadas por São Paulo", disse ACM. Em resposta, Covas, que esteve hoje com Fernando Henrique e fez uma visita ao Senado, disse que ACM deveria entrar na Justiça contra São Paulo, se comprovar que o governo de São Paulo usa a máquina administrativa na guerra fiscal. "Eu acho que, se ele (ACM) tem convicção disso, deve entrar na Justiça contra São Paulo, porque assim ele me ajuda a confirmar a tese de que isso (a concessão irregular de benefícios) é proibido", afirmou Covas. "Se ele quiser, eu até posso orientá-lo a fazer isso, porque, aliás, já entrei com um processo contra a Bahia". Covas negou que o governo federal esteja envolvido indiretamente com a posição de São Paulo em relação à guerra fiscal. "Nunca conversei com o presidente, o que fiz foi por contra própria", garantiu o governador. Para ACM, o presidente Fernando Henrique não conseguirá reduzir as desigualdades entre os Estados, porque sua equipe é integrada por "homens colocados no governo, exclusivamente ligados a São Paulo". O presidente do Senado endossou discurso do senador Paulo Souto (PFL-BA), que qualificou as ações direta de inconstitucionalidade impetradas pelo governo de São Paulo contra outros Estados, entre os quais a Bahia, são uma "verdadeira declaração de guerra". Covas foi irônico ao dizer que a equipe do presidente é integrada também por cariocas, citando o ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Paulista só tem os ministros da Saúde, José Serra da Educação, Paulo Renato Souza, que, aliás, são os melhores, e o da Cultura, Francisco Weffort", disse. "De que Estado é o ministro das Minas e Energia (Rodolpho Tourinho), é da Bahia ?" questionou Covas. ACM sugeriu que o presidente lesse o discurso de Souto para que pudesse diminuir as desigualdades. Segundo Paulo Souto, a guerra é encabeçada por São Paulo, que detém o domínio de grande parte do primeiro escalão e da burocracia federal. "É uma guerra de quem exerce a ditadura do mercado, porque detém a concentração da riqueza".

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