ACM diz que marcha não abalará instituições
Brasília, 23 - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), afirmou há pouco que a Marcha dos Cem Mil, na quinta-feira (26), não abalará as instituições. "Não digo que exagero dizer que (a marcha) é uma tentativa de golpe, digo que as instituições estão fortes o bastante para não se abalarem com a reunião de 50 mil ou 60 mil pessoas, e até se aumentarem para 100 mil não tem importância", previu. Se for uma manifestação "normal", disse o senador, "o único problema que restará será a avaliação de quantos participaram dela". Mas Magalhães acha que, se houver agitação, será ruim, "pois, como disse o presidente da República, o movimento não tem rumo nem direção, e ninguém ganha enfraquecendo a autoridade do presidente numa hora em que se precisa de uma união de propósitos para vencer os problemas comuns". O presidente do Senado relatou que o s representantes da esquerda garantiram que têm o controle completo da manifestação e avaliou que, se os organizadores perderem o controle do protesto, "serão responsáeis perante a Nação e se enfraquecerão". ACM disse ainda que a proposta de impeachment do presidente Fernando Henrique Cardoso, defendida por parte dos organizadores da Marcha dos Cem Mil, "é brincadeira, é uma coisa do Brizola, sujeito que não tem o que fazer", referindo-se ao presidente nacional do PDT, o ex-governador do Rio Leonel Brizola. Magalhães disse ainda discordar da proposta de criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), também defendida pelos organizadores da marcha. Ele argumentou que a rejeição à CPI se deve ao fato de não haver motivo para tal e que, portanto, 2 milhões de assinaturas não o fariam mudar de posição. Já apenas 50 assinaturas seriam suficientes para que ele concordasse com uma CPI, casso houvesse motivos para ela. O senador disse que Fernando Henrique precisa da mídia para recuperar a popularidade, pois está em baixa. "Quando comparo esse nível de popularidade com o de outros governos, sem que ele tenha chegado, ainda, àqueles níveis baixos, é porque querem baixar mais ainda", disse ele, referindo-se a notícias divulgada na imprensa sobre a queda de popularidade do presidente. Magalhães previu que Fernando Henrique pode recuperar a popularidade, desde que tome as medidas certas. Mas avaliou que ele não voltará aos níveis de antes. O presidente do Senado opinou ainda que o governo não deveria fazer acordo com os representantes dos produtores rurais acampados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, aos quais ele não considera ruralistas, "mas sim pessoas contratadas para isso" (a manifestação). "Não devem nem ficar os caminhões e nem se fazer acordo; até porque, para fazer qualquer conversa, não pode fazer com pressão", sustentou. Ele ressaltou, porém, que esta é a ótica dele, completando: "Eu sou só o presidente do Senado."





