ACM diz que marcha é "movimento sem rumo"
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domingo, 22 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 23 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), previu hoje que a Marcha dos Cem Mil - tida por ele como "um movimento sem rumo e sem destino" - vai ajudar o presidente Fernando Henrique Cardoso a recuperar a popularidade porque evidenciará falta de propostas viáveis de seus organizadores. "A população vai ver que é a marcha do nada", disse. "E vai sentir que não é pela desordem que o País vai crescer."
Ele voltou a dizer que a imagem do presidente vai melhorar "no momento em que ele adotar as medidas em que está pensando". ACM minimizou tanto a realização, como os objetivos da marcha, principalmente o de pedir o asfastamento do presidente Fernando Henrique. "Isso é brincadeira, é coisa do Brizola", afirmou. "É coisa de um sujeito que não tem o que fazer."
Ele não concorda com o ministro da Fazenda, Pedro Malan, que comparou a tentativa de tirar o presidente do cargo a "um golpe". "As instituições estão fortes o bastante para não se abalarem com uma reunião de 50 mil, 60 mil", justificou. "Ou até se aumentarem para 100 mil, não tem importância." Segundo o senador, se o movimento perder o controle, a culpa será de seus organizadores "que são os responsáveis perante a Nação". E cada vez que fizerem isso, em vez de se fortalecerem, vão se enfraquecer."
ACM disse que o protesto é um direito democrático, mas considerou imprópria a sua realização "numa hora em que se precisa da união de propósitos para vencer alguns problemas comuns". Ele vai receber um pequeno grupo dos manifestantes em seu gabinete, conforme combinou na semana passada com parlamentares da oposição.
Com ironia, previu que a afinidade existente hoje entre os manifestantes da semana - integrantes da marcha e agricultores - vai acabar no dia da manfiestação. "É só juntá-los", previu.
O presidente do Senado disse que, em princípio, tampouco concorda com a iniciativa dos manifestantes de defender uma comissão parlamentar de inquérito para investigar a privatizção da Telebrás, porque não conhece os motivos que justificariam essa iniciativa. Ele disse que a sua posição será a mesma, diante de dois milhões ou de 50 assinaturas, se não houver um argumento sólido que justifique a medida.


