Brasília, 26 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que a Marcha dos Cem Mil, realizada hoje em Brasília, "foi um fracasso" e "não vai levar o governo a fazer mudanças".
Ele acredita, no entanto, que "o governo poderá mudar por achar que é mais necessário sair um pouco da área econômica e ir mais para a área social".
Mas ressaltou que "isso é decisão de governo, independentemente da manifestação de hoje". Magalhães fez estas afirmações em entrevista que gravou para a Rede Globo de Televisão, momentos antes de se deslocar para um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, no Palácio do Planalto.
Ao fazer uma avaliação da marcha, Magalhães lembrou que acompanhou desde cedo a movimentação e achou um ato democrático. "Agora, evidentemente, as oposições estão arrependidas de terem realizado; porque o número de manifestantes não chegou, em nenhuma hipótese, a mais de 30 mil", avaliou. "De modo que eles esperavam cem mil, mobilizaram ônibus, muita gente do entorno de Brasília, foi um fracasso; é para entender que não adianta fazer manifestações sem motivo."
ACM disse ainda: "De fato, a manifestação não vai, a meu ver, levar o governo a fazer mudanças; entretanto, o governo poderá mudar e achar que é mais necessário sair um pouco da área econômica e ir mais para a área social; mas isso é decisão de governo, independentemente da manifestação de hoje; pela manifestação, não se muda nada."
Magalhães previu também que a manifestação vai provocar uma melhora da popularidade de Fernando Henrique. "Tendo a manifestação colocado em dois campos opostos - num, a desordem e os que não têm propostas, mas apenas slogans; e em outro, a manutenção da estabilidade econômica, da democracia do presidente Fernando Henrique -, a população vai perceber isso, e as pessoas de opinião vão registrar uma melhora na popularidade do presidente, inclusive porque o governo está preparando alguns atos que serão anunciados em setembro", afirmou o presidente do Senado. "Tenho falado ao presidente, e acho importante uma economia estável; mas a estabilidade não deve ser inflexível", opinou. Ele concluiu a avaliação, dizendo que "não fica nenhum recado do protesto, devido ao fato de a mídia ter valorizado demais a passeata dos cem mil, e não se chegou a isso".

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