ACM diz que FHC mostrou estratégia de não deixar nada sem resposta
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Rosa Costa e Liliana Lavarotti 
Brasília, 27 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que a ênfase demonstrada pelo presidente Fernando Henrique Cardoso, ao se defender da acusação de ter participado de um esquema para favorecer grupos no processo de privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), mostra a estratégia que o governo passará a usar diante de denúncias consideradas infundadas. Para ACM, a atitude de Fernando Henrique é acertada, mas deve se estender a ponto de "adotar medidas que desgostem seja quem for, contanto que agrade à população".
"Acho que essa é a nova linha com a qual eu me solidarizo", afirmou. O senador apontou o discurso do presidente, feito no Palácio do Planalto, no lançamento de uma nova modalidade de crédito educativo, como o marco dessa nova direção do governo. "Acho que o presidente vai por aí, de não deixar os assuntos sem respostas", defendeu. "Esse discurso de hoje é a estratégia." Na avaliação de ACM, a mudança de estratégia vai ajudar Fernando Henrique a recuperar o apoio da população, embora ache "difícil" ele alcançar os índices elevados de popularidade que obteve na melhor fase do governo. "Que ele vai melhorar, não tenho dúvidas", frisou. "Mas acho difícil alcançar os níveis anteriores." Também o ministro das Comunicações e articulador político do governo, Pimenta da Veiga, confia na recuperação da popularidade de Fernando Henrique. "Tenho certeza que a popularidade dele irá subir", garantiu.
O ministro criticou o procedimento da oposição em querer penalizar o governo por causa de "acusações improcedentes". Segundo ele, esse tipo de atitude é prejudicial ao País porque tenta prejudicar as metas de crescimento econômico que estão em andamento. Veiga deu por encerrado o assunto sobre os grampos telefônicos relacionados ao leilão de privatização da Telebrás. "É um assunto que não se sustenta", afirmou. "A oposição é que tenta esticá-lo."
O ministro também condenou a iniciativa do governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), de defender eleições gerais em 2000, por entender que a medida "não tem nenhum cabimento". "O governador de Minas é a favor do contra", argumentou. Sobre a notícia de que a Polícia Federal (PF) teria grampeado o ministro-chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, e autoridades da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), o ministro disse não dispor de "maiores informações", mas que o governo é o "maior interessado" em esclarecer a questão.
Veiga considerou "o caminho natural" a decisão do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de adiar para a próxima semana a decisão sobre o pedido de impeachment contra Fernando Henrique.


