ACM diz que FHC garante não ter interferido em troca-troca
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2000
Por Biaggio Talento 
Salvador, 17 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL- BA), disse hoje, em Salvador, ter recebido a garantia do presidente Fernando Henrique Cardoso, de que não interferiu no movimento do PSDB para aumentar sua bancada, mas questionou a independência dos tucanos. "Não posso deixar de acreditar na palavra do presidente, mas não posso ver o partido dele fazer essas coisas sem que pelo menos esteja usando seu nome", disse.
"Acredito que o bispo (Edir) Macedo (chefe da Igreja Universal do Reino de Deus) não vá despachar no Palácio do Planalto, como disseram alguns dos deputados que passaram para o PSDB", ironizou.
ACM atacou adversários tucanos, como o líder do partido na Câmara, Aécio Neves (um dos que comandaram o processo de cooptação dos deputados), e o governador de São Paulo, Mário Covas. Para criticar Neves, ele elogiou o líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP). "O deputado Madeira sempre se comportou como um líder diferente do deputado Aécio, pelo estilo, pela formação e pela credibilidade." Segundo Magalhães, se Fernando Henrique e os aliados diretos dele entenderem que o PFL é importante, o partido não se negará a analisar os sinais de paz do Planalto. Sobre Covas, ACM disse que "será engraçado" ver o governador paulista "bater palmas para o (deputado Luiz Antonio) Fleury (PTB-SP) presidindo a Comissão de Justiça", disse. "Nós (ACM e Covas) que conheçemos o Fleury."
Magalhães aprovou as posições da reunião dos governadores e líderes do PFL, hoje, em Brasília. "Acredito que eu e o vice-presidente Marco Maciel possamos servir ao País, mesmo não estando de acordo com a maioria da base do governo", disse, fazendo coro às palavras da governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PFL), de que, agora, o partido está mais livre em relação ao Planalto e pode lutar pela aprovação do salário mínimo de US$ 100. "Não tenho dúvidas de que, se for votado no Congresso, esse valor do mínimo será aprovado."
ACM guardou um pouco de munição também para o Judiciário
afirmando que o Brasil tem a ganhar com a greve dos juízes, marcada para começar dia 28. "O andamento dos processos será melhor que nos dias normais", provocou, reforçando a posição contra o aumento salarial reivindicado pelos juízes. "Da minha parte, continuo com o ponto de vista de só aumentar o teto quando se cuidar do salário mínimo", disse.


