ACM diz que Estevão teve atitude sensata
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Murilo Fiuza de Melo, Mônia Ciarelli e Roberta Jansen 
Rio, 19 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que o senador Luiz Estevão (PMDB-DF) "jamais" deveria ter ocupado a relatoria-adjunta da Comissão Mista de Orçamento e do Plano Plurianual (PPA), programa de investimentos do governo federal para os próximos três anos. ACM classificou como "sensata" a decisão de Estevão
anunciada no início da tarde, de renunciar ao cargo, para o qual havia sido indicado pelo presidente do PMDB, Jáder Barbalho (PA).
"Ele jamais deveria ter sido indicado", criticou o senador. "Agora que deixou o cargo ele tomou uma atitude correta que evidentemente nos ajuda, na medida em que tira qualquer dúvida no trabalho de elaboração do orçamento e do PPA."
ACM negou que tenha firmado um acordo de cavalheiros com Barbalho para tentar livrar Estevão do pedido de cassação vindo da oposição."Eu não posso fazer acordo nem para salvar, nem para incriminar, porque sou um homem que preside o Senado Federal e o Congresso Nacional com isenção", disse.
Segundo ele, as afirmações sobre a existência do possível acordo são das "mesmas pessoas que diziam que o relatório da CPI do Judiciário não iria informar nada". "E ele (o relatório) é uma perfeição em matéria de adequação de penas", elogiou ACM, que esteve hoje no Rio para um almoço com o prefeito Luiz Paulo Conde e a inauguração de um centro social na favela do Tuiuti, em São Cristovão (zona norte), que leva o nome de seu filho Luís Eduardo Magalhães.
A manutenção de Estevão na relatoria-adjunta do Orçamento começou a provocar constrangimentos depois que a CPI do Judiciário descobrur indícios de envolvimento de sua construtora Incal, do Grupo OK, com as obras superfaturadas do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo. Na nota, Estevão disse ter encaminhado carta a Barbalho na qual alega problemas de saúde e diz que, longe da relatoria-adjunta, ele terá mais chances de dedicar ao esclarecimento à opinião pública sobre o fato.
Segundo o relator do PPA, deputado Renato Viana (PMDB-SC), a presença de Estevão "contaminava" os trabalhos da comissão. "Não quero prejulgar, mas o fato é que a sociedade cobra e a presença dele era constrangedora", disse Viana. Apesar da renúncia de Estevão, ACM não quis comentar a iniciativa da oposição de entrar com uma representação à Mesa do Senado pedindo a cassação do senador. " Não posso de antemão dizer que aprovo a cassação, por que isso terá de ser, primeiro, estudado pelo Ministério Público", disse.
Antônio Carlos voltou a defender o relatório da CPI do Judiciário. Disse que ele tem três volumes com acusações "gravíssimas" contra o Judiciário - "o poder que está mais falhando, atualmente, na República". O presidente do Senado também mostrou ser contra o aumento dos salários do parlamentares, que vem sendo proposto pelo corregedor da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PPB-PE). "Eu tenho que assinar a mensagem (propondo o aumento), mas se depender de mim, eu não assino", afirmou.
Aplaudido na favela do Tuiuti, ACM chegou acompanhado do governador da Bahia, César Borges, do prefeito de Salvador, Antônio Imbassahy, e dos ministros da Previdência, Waldeck Ornélas, das Minas e Energia, Rodolfo Tourinho, todos do PFL. Em seu discurso, ele criticou a política econômica do governo federal e disse que sempre defendeu os mais pobres. Entre o público, estava estendida a faixa "O povo pede: ACM presidente". "Isso deve ser bondade dos organizadores ou, então, do povo do Rio de Janeiro", brincou o senador, depois do ato de inauguração do centro social da favela.


