ACM diz que desembargador quer aparecer
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sexta-feira, 03 de dezembro de 1999
Por Biaggio Talento 
Salvador, 03 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL), classificou de "tempestade num copo dágua" o caso do desembargador Lourival Ferreira, que denunciou ter sido pressionado por dois colegas e um deputado estadual do PFL a soltar o preso Vander Dornelles. "Isso é leviandade de um desembargador, maculando e levando a Bahia para as páginas policiais, coisa que não é do agrado dos baianos", disse, após participar da solenidade de assinatura das obras do projeto do metrô de Salvador.
Para ACM, é caso típico de um juiz querendo notoriedade. "Ele aprontou isso depois recuou e quem ficou mal foi ele", declarou, afirmando que aprova a vinda "de todos os organismos para apurar o caso, locais, nacionais e internacionais". Apesar da posição de Magalhães, o PFL, que tem maioria na Assembléia Legislativa da Bahia, barrou a instalação de uma CPI estadual para investigar as denúncias.
Também presente à solenidade, o governador César Borges (PFL) tentou defender o líder do governo na Assembléia, deputado Pedro Alcântara (PFL) citado pelo Ferreira como um dos que o pressionaram. Segundo Borges, é normal o telefonema dado pelo parlamentar ao desembargador. "Não se pode usar da infelicidade de um desembargador, que em determinado momento cometeu o ato leviano de sair acusando as pessoas, simplesmente porque conversaram, fizeram a ele qualquer tipo de solicitação, e daí fazer ligações indevidas", disse, achando uma "exploração mesquinha e odiosa" do caso.
O governador disse que Alcântara tem o seu apoio e será mantido na liderança da bancada do governo. O deputado, no entanto, não foi à solenidade do assinatura do contrato do metrô.
VIRGILIO - O senador Antonio Carlos Magalhães rebateu as críticas do deputado tucano Artur Virgílio, segundo as quais ele não quer limitar a ação das Medidas Provisórias por ter sido sempre cercado de subservientes. "Quem me cercava era ele, que não saía do meu gabinete, sempre para tratar, é verdade, de assuntos do interesse do seu estado", declarou, afirmando que não iria discutir "assunto que diz respeito à responsabilidade, à afirmação do Congresso".
Na visão de ACM as MPs são uma "excrescência". Segundo ele, o presidente Fernando Herique Cardoso também pensava assim quando era senador. "Ele hoje é presidente, eu sou senador". Sobre a nova proposta do aumento do teto salarial do funcionalismo para R$ 12,7 mil, Magalhães foi enfático: "Minha assinatura eu não dou."


