Brasília, 31 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), assegurou hoje que as denúncias envolvendo corrupção no Tribunal de Justiça (TJ) de Roraima serão investigadas pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) proposta por ele para apurar irregularidades do Judiciário. "Todos esses assuntos terão de entrar na CPI; não há como fugir", garantiu ACM. "Esses assuntos serão esclarecidos, ou então nós vamos formar culpa em relação a essas pessoas", acrescentou.
Mesmo sem assinar a CPI do Judiciário, a oposição também defendeu a investigação de todas as denúncias de corrupção na Justiça enviadas ao Senado e outras que surgirem. O líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), condenou a conduta do desembargador Robério dos Anjos, que, mesmo ocupando o cargo de corregedor do TJ de Roraima no período pré-eleições de 1998, prestava assessoria informal ao governador Neudo Campos (PPB). O fato foi revelado em conversas gravadas. As conversas, não-desmentidas pelo próprio desembargador, mostram que ele estava ciente das irregularidades praticadas.
"Fato como esse é igual à meia dúzia de deputados que sequestram e matam, comprometendo a imagem do Legislativo", comparou o deputado Genoíno. "Um caso desse justifica a investigação no Judiciário", completou o líder, observando que o partido não vai se negar a indicar integrantes à CPI do Judiciário, mas preferia que as investigações ocorressem por meio do mecanismo do controle externo do Judiciário. O controle externo está entre as principais propostas da reforma do Judiciário.
Para ACM, o fato de a denúncia envolvendo o desembargador de Roraima não ter sido incluída originalmente entre as ações determinadas listados no requerimento da CPI não exclui a apuração desse e de outros casos que possam surgir. "Tudo que vier entra na CPI", avisou o senador. No requerimento de ACM, foram incluídos os casos da construção superfaturada do prédio das Juntas de Conciliação e Julgamento de São Paulo, nepotismo no TJ da Paraíba e no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) do Maranhão e casos de indenizações milionárias com o objetivo de lesar o governo.
A decisão de incluir estas denúncias na CPI acabou desagradando a correligionários de ACM. O senador pefelista Mozarildo Cavalcanti (RR), aliado político de Campos, tentou desqualificar o teor das fitas. "Esta CPI não poderá levar em conta gravações obtidas clandestinamente", disse Cavalcanti. "Mesmo assim, acho que a denúncia tem de ser investigada", admitiu o senador de Roraiama.
Para Cavalcanti, as conversas foram gravadas para beneficiar eleitoralmente a ex-deputada Tereza Jucá (PSDB-RR), que, na última eleição, disputou o governo do Estado contra Campos. "A CPI não pode se transformar num tribunal de denuncismo, principalmente se esse denuncismo tiver uma conotação eleitoral", avaliou Cavalcanti, lembrando que assinou o requerimento da CPI do Judiciário. "Esta comissão corre o risco de virar um desaguadouro de interesses eleitorais."

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