Brasília, 18 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), condicionou hoje o êxito da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado à decisão de investigar a participação do senador Luiz Estevão (PMDB-DF) nas obras superfaturadas do Fórum trabalhista de São Paulo. A suspeita de ligação de Estevão com as construtoras Incal e Ikal, do seu amigo Fábio Monteiros de Barros, tem sido reforçada pelo aparecimento de cheques do empreiteiro nas empresas dele.
No último rastreamento, a CPI encontrou mais nove cheques da Incal, de R$ 814 mil, em duas empresas de Estevão. Até agora, foram descobertos 19 cheques, no valor total de R$ 5 11 milhões, que seguiram esse mesmo roteiro - foram emitidos pelas empresas que superfaturaram as obras do Fórum trabalhista de São Paulo para as empresas do Grupo OK, de Estevão.
De Lisboa, onde se encontra participando de um congresso de presidentes de parlamentos latino-americanos, ACM procurou encerrar a polêmica sobre o funcionamento da CPI e a descobertas de dados relacionando Estevão a essas empresas. Ele afirmou que, se a CPI não examinar o envolvimento de Estevão no escadaloso caso de superfaturamento, "estará acabada". "Na minha opinião
se a CPI não apurar se há ou não envolvimento de Luiz Estevão nessa história, estará acabada", declarou.
Para ACM, não se trata de uma questão política nem ideológica mas, sim, de manter a coerência indispensável a todas investigações parlamentares. "Não tenho nada contra o senador Luiz Estevão", ressalvou. "Agora, se a comissão deixar de investigar se existe ou não algum tipo de relação, deixará de cumprir com o seu papel." Como idealizador da CPI do Judiciário
ACM tem motivos para adotar essa posição. O primeiro deles foi a tentativa de Estevão de intimidas os técnicos da comissão para impedir que continuem sendo divulgados os cheques e os telefonemas recebidos dos empreiteiros das construtora e do juiz Nicolau dos Santos Neto, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de São Paulo, que encabeçou o esquema de corrupção.
O outro motivo foi a decisão do presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), de apresentar um requerimento para todos os parlamentares que emendaram o Orçamento da União em favor das obras do Fórum serem investigados, até mesmo com a abertura das contas telefônicas e bancárias deles. A iniciativa de Barbalho foi rejeitada até mesmo por um dos mais fiéis liderados dele, o presidente da CPI, Ramez Tebet (PMDB-MS).
Ele anunciou em plenário que irá indeferir o depoimento. "Discordo um pouco do meu líder", afirmou. "Acho que todo parlamentar tem o direito de lutar para incluir verbas do Orçamento em projetos que julguem válidos." Sobre Estevão, Tebet disse que "o que existe tem de ser analisado". Na carta que encaminhou à comissão na segunda-feira (14), Estevão antecipa que irão aparecer novos cheques. Ele afirma que os negócios dele com a Incal não atingem a 2,5% do R$ 1 bilhão obtido nos últimos cinco anos pelo grupo empresarial do qual é acionista. A valer essa afirmação, ele teria realizado negócios da ordem de R$ 25 milhões com a Incal. Quer dizer que ainda devem aparecer outros cheques para complementar esse valor aos R$ 5,11 milhões identificados até agora pela CPI.

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