Brasília, 10 (AE) - O ministro da Fazenda, Pedro Malan, não deverá ser convocado pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Sistema Financeiro. O governo montou uma estratégia - logo após a divulgação da notícia de que Malan saberia da operação de socorro os bancos Marka e FonteCidam - deflagrada hoje pelos senadores aliados que integram a CPI.
Após a entrevista do ministro ao telejornal "Bom Dia Brasil", da TV Globo, na qual desmentiu as informações de que participara da reunião na qual foi decidido o socorro aos bancos
o presidente do Congresso, senador Antonio carlos Magalhães (PFL-BA), disse que convocar Malan agora "seria não acreditar nas palavras do ministro Malan, fato que seria extremamente negativo". Há duas semanas ele defendeu a presença do ministro na CPI. O presidente do PMDB e criador da CPI, senador Jader Barbalho (PA), fez coro com ACM hoje. "Não há nada que justifique a convocação de Malan nesse momento."
Hoje, na sessão do Senado, o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) apresentou um requerimento no qual pede a convocação do ministro da Fazenda para depor na CPI. Esse requerimento precisa ser encaminhado agora à presidência da CPI, o que deve ser feito amanhã (11). Hoje, ACM disse que caso a oposição insistir em apresentar um requerimento de convocação, será derrotada. "Não vou trabalhar para isso, nem sou dessa comissão, mas a CPI irá rejeitar esse requerimento", avisou .
Para ACM, a entrevista de Malan foi suficiente para o esclarecimento do episódio. "O ministro Pedro Malan mostrou a indignação dos homens de bem", analisou o senador. "E ele não pode ser contestado em sua palavra, na medida que é um homem digno e sério, merecendo o respeito de todos os brasileiros." Para o presidente do PFL, Jorge Bornhausen, o assunto está fechado. "Para mim, basta a palavra do ministro Malan, já o que está se discutindo é palavra contra palavra", disse.
O presidente interino da CPI, senador José Roberto Arruda (PSDB-DF), lembrou que em todos os depoimentos prestados na Polícia Federal por pessoas ouvidas sobre a operação de socorro feita pelo BC o ministro Malan não é citado. "O depoimento do Chico Lopes (ex-presidente do BC) foi explícito: Malan não foi informado nem antes e nem depois", observou Arruda. "O que não dá é para ficar valorizando informação anônima com motivações políticas", completou Arruda.
Apesar da estratégia governista, a oposição deverá insistir. Mesmo apresentando um requerimento genérico, o senador Eduardo Suplicy quer aproveitar as notícias divulgadas nesse final de semana para tentar criar um fato político. "Será que o Banco Central estava tão independente para fazer uma operação daquela ordem sem comunicar o ministro da Fazenda?", insinuou Suplicy em discurso feito à tarde, lembrando que no dia 14 de janeiro, Pedro Malan esteve duas vezes com o então presidente do Banco Central, Francisco Lopes, e que no dia 15 o ministro passou a manhã no BC.
Já o senador Tião Viana (PT-AC) acusou o ministro de Malan de omisso. "Mesmo que ele tenha tomado conhecimento da operação apenas 15 dias depois, é grave o fato de o ministro da Fazenda não ter dimensionado o problema atípico de ajuda aos bancos Marka e FonteCindam, e não ter determinado a abertura de uma sindicância para apurar a responsabilidade daquela operação", argumentou Tião Viana. "Até para explicar esse fato, o ministro Malan deveria comparecer à CPI."

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