ACM diz que ato vai melhorar popularidade de FHC
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quarta-feira, 25 de agosto de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 26 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje, ao fim da Marcha dos Cem Mil, que o único recado deixado pela manifestação é favorável ao presidente Fernando Henrique Cardoso, "que vai mudar sua popularidade para melhor". Segundo ele, a oposição errou ao criar uma expectativa que não se cumpriu, quanto ao comparecimento da população, mesmo tendo mobilizado ônibus e manifestantes do entorno de Brasília.
"Foi um fracasso", afirmou. "É para entender que não adianta fazer manifestações sem motivo".
O argumento dele a favor de Fernando Henrique parte do princípio de que a marcha pôs a população diante de duas alternativas: "Em uma, a desordem, os que não têm propostas, mas apenas slogans", defendeu. "No outro, a manutenção da democracia, da estabilidade econômica e da democracia." Para ele, é evidente que as pessoas vão escolher Fernando Henrique. "inclusive porque o governo está anunciando alguns atos que serão anunciados em setembro", antecipou, sem dizer que medidas serão essas.
ACM disse que o ato lhe pareceu democrático, mas foi ruim para as oposições, "que quis fazer uma coisa para a qual não tinha capacidade".
"Evidentemente que as oposições estão arrependidas de terem realizado", defendeu. "Porque o número de manifestantes não chegou em nenhuma hipótese a mais de 30 mil."
No encontro que teve com Fernando Henrique, ao fim da tarde, o senador constatou que o presidente estava feliz, "mas procurando se conter para não demonstrar tanta felicidade".
"Todo mundo fica feliz com o sucesso do adversário", justificou. A avaliação do senador é que o fracasso da manifestação "foi bom porque vai a acostumar a fazer política com boas causas e não com falsas causas".
"Assisti ao Lula (Luiz Inácio Lula da Silva, presidente de honra do PT) no final e quase ia prá lá para ser mais um", ironizou, ao comentar a visão que teve do palanque oficial, onde discursaram o presidente de honra do PT e outros líderes da oposição, do "15º andar do Senado". "Dava para contar e não havia nem 500 pessoas na frente dele." ACM insistiu que a manifestação foi um erro das oposição. "Acho que até elas avaliaram isso, mas não tiveram como votar atrás." "Política econômica não se muda com gritos de guerra", afirmou. Na opinião dele, as pesquisas de opinião são mais representativas para mostrar a reação da sociedade com relação ao governo do que a marcha que não indica o pensamento da sociedade. "Se eu mandar o Paulinho Magalhães prá lá, já representaria 200 mil pessoas", exemplificou, referindo-se ao deputado que estava ao lado dele.
ACM voltou a criticar o que entende ser "a inflexibilidade da economia", ao defender medidas de combate à miséria.
"A política tem de flexionar dentro das condições atuais que são difíceis, para o social", cobrou. "O problema da fome e da miséria que atinge milhões de brasileiros tem de ser enfrentado pelo governo, sobretudo com o apoio do Congresso." Bem-humorado durante todo o dia, ACM viu pelas paredes envidraçadas do cafezinho do Senado, onde os senadores lancham e recebem convidados, a movimentação em frente do Congresso. Ele achou graça quando manifestantes pularam no espelho dágua que mandou construir logo à frente. "É a piscina do povo", brincou. "Eles estão achando que é água benta."
Sobre a decisão dos manifestantes de não lhe entregar o abaixo-assinado pedindo a instalação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para apurar a venda da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), o senador disse que havia dito que receberia no máximo cinco deles, e não a comissão que esteve com o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP). Antecipou, porém, que o Senado não irá apoiar essa CPI. "Até porque eles não trouxeram os cem mil que prometeram", afirmou, referindo-se à previsão sobre os participantes do ato. "Ficam, portanto, sem autoridade para pedir a CPI."


