Brasília, 16 (AE) - Ao contrário do presidente Fernando Henrique Cardoso, que mostrou não ter pressa em encaminhar a reforma tributária, o presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), disse hoje que o Congresso votará a reforma ainda este semestre. "É um compromisso." ACM afirmou que o exame da reforma tributária terá início "antes ou simultaneamente à reforma política". Ele pretende conversar com o presidente da Câmara, deputado Michel Temer (PMDB-SP). "Está numa boa hora de se fazer (a reforma)", disse.
Em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo" neste final de semana, o presidente Fernando Henrique Cardoso admitiu a necessidade da reforma tributária, mas afirmou que vai entrar "mais diretamente na reforma política". "Assim como nós conseguimos ter consciência sobre a questão previdenciária, ainda não se tem da questão tributária, porque a matéria é árida", argumentou. "Então é um jogo complicado de negociação." Já ACM não concorda com a decisão do governo de recuar na reforma tributária. "Nós não vamos deixar", disse.
Os aliados dizem o tema é prioritário no Palácio do Planalto. O senador, ao contrário, argumenta que o governo, e mais precisamente a equipe econômica, não tem pressa em mudar as regras tributárias do País, porque dispõe de "colchões mais confortáveis para cobrir seus gastos". Cita, como exemplo desses "colchões", o Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), constituída por 20% das receitas tributárias da União, e Contribuição Financeira Sobre Movimentação Provisória (CPMF), cobrado sobre as operações financeiras, que está prestes a ser aprovado, mais uma vez, pela Câmara dos Deputados.

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