Brasília, 29 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), desafiou hoje, em discurso na tribuna do Senado, os adversários, ministros ou qualquer um que tenha tido um poder político ou administrativo a apontar um só caso em que tenha interferido a favor de empresas ou pessoas. ACM tentou pôr um fim às repercussões provocadas pela citação do nome dele pela ex-primeira-dama do município de São Paulo Nicéa Pitta.
Ele também questionou a atuação dos meios de comunicação
que estariam divulgando a informação de que o Congresso está integralmente contaminado, quando, na realidade, "há apenas uns poucos parlamentares que trazem na bagagem uma folha corrida desabonadora". "Será que a democracia ganha com essa atitude da mídia?", perguntou. "Não sei a quem interessa enfraquecer o Congresso e a representação popular."
ACM atribuiu a exploração política das declarações de Nicéa a "alguns intrigantes, parlamentares ou não, que plantam notícias incorretas nos jornais". Ele anunciou que, quando for responder a cada um deles, o fará "de forma fulminante". "Contra as mentiras, verdades", afirmou. "Verdades duras que
até aqui, por piedade cristã, não tenho proclamado." Em apoio à reação do senador, assistiram ao discurso dele, no plenário, os líderes do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), e no Congresso, deutado Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM), do PFL na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE), deputados de outros partidos, como Delfim Netto (PPB-SP), e outros correligionários. Também o líder do PMDB no Senado e presidente nacional do partido, Jáder Barbalho (PA), manifestou a solidariedade nesse assunto, ao contrário da posição divergente que mantém com relação à fixação do novo salário mínimo.
ACM questionou quem estaria "pagando" os adversários e inimigos que deram seguimento, "que exploraram politicamente as sandices levadas ao País inteiro pela mídia". "Como se ataques odientos, engendrados para atender também objetivos eleitorais, adquirissem foro de verdade."
"De repente, 50 anos de vida pública exemplar, de sacrifícios pessoais e familiares, de conduta ética inatacável, de bons serviços prestados ao meu Estado e ao Brasil são desconsiderados", protestou o presidente do Senado. "Vejo meu nome misturado ao de pessoas que estariam comprometidas com ações condenáveis." ACM argumentou que poucos como ele tiveram o patrimônio pessoal tão investigado em devassas fiscais. Segundo ele, os resultados confirmam que todos bens comprovavam a honestidade e a veracidade das declarações do Imposto de Renda (IR).
"Desafio também aos parlamentares, aos decentes e também aos outros, felizmente em número bem menor, para que venham aqui apresentar qualquer documento que revele deslize moral meu no desempenho da função pública", reiterou. O senador reconheceu que errou ao responder a Nicéa - durante a entrevista que ela concedeu ao programa "Globo Repórter", da Rede Globo de Televisão, ele reagiu, dizendo que não frequenta "prostíbulos" como o da família Pitta - "pelo inusitado que encerra a acusação de uma sra. revoltada por ter sido abandonada pelo marido, entre outras coisas".
ACM fez da tribuna uma auto-análise: "Digo o que penso em alto e bom tom; assumo minhas responsabilidades no exercício de cargos administrativos ou de mandatos eletivos, reconheço meus excessos, quando os cometo e não traio meus princípios nem meus amigos e correligionários", defendeu. Ele disse que está indignado com as declarações que tentaram atingir a dignidade dele, embora, hoje, "os de boa-fé já não se enganam a respeito dos propósitos da leviana", referindo-se a Nicéa.

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