ACM defende Ornélas e PSDB defende reajuste maior que 7%
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 21 de fevereiro de 2000
Por Gilse Guedes e Isabel Braga 
Brasília, 22 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), saiu hoje em defesa do ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, acusado pelo PSDB de fazer coro ao discurso do PFL em relação ao reajuste do salário mínimo. Ao deixar hoje o Palácio do Alvorada, onde se reuniu por cerca de uma hora com o presidente Fernando Henrique Cardoso, ACM disse que Ornélas "está realizando um trabalho notável".
Os tucanos se apegam ao fato de o ministro ter resistido, até ontem (21), à proposta de seu partido de aumentar o mínimo para o equivalente a US$ 100 e, na segunda-feira, ter passado a defender o "maior salário possível". "O presidente considera que ministro Ornélas é dele e não meu ou de quem quer que seja"
afirmou ACM, pouco antes de um almoço com o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), e o líder do partido na Câmara, Inocêncio Oliveira (PE).
Questionado sobre a possibilidade de a posição de Ornélas - seu afilhado político - estar criando descontentamento no governo, o senador baiano afirmou que cabe ao presidente Fernando Henrique dizer se o ministro está firme ou não.
Queda-de-braço - Hoje, em mais um lance da queda-de-braço entre os aliados do governo no Congresso, o PSDB saiu em defesa de um reajuste do salário mínimo superior a 7%, aumento baseado na inflação e defendido pelo ministro da Fazenda, Pedro Malan. Numa ofensiva tardia contra o PFL, o líder tucano no Senado, Sérgio Machado (CE), afirmou que está nas mãos de Ornélas a responsabilidade para a concessão do "maior aumento possível". Ele disse que o PSDB vai "bater palmas" caso Ornélas consiga elevar o salário para o equivalente a US$ 100, o que corresponde a quase R$ 180. "Ele, mais do que ninguém, vai poder dizer", disse Machado.
Em seu discurso, Sérgio Machado frisou que o PSDB defende o maior aumento possível do mínimo, sem que isso comprometa as contas públicas. "O ministro da Previdência é responsável pelo equilíbrio fiscal, acho que ele tem de fazer todo o esforço possível para dar o máximo", disse. "Isso não significa um discurso do passado, dar aumento para o governo pagar, porque nós já vimos esse filme antes." Ele disse ser contrário à regionalização do mínimo, ou seja, definir um salário para cada Estado, mas considera possível que cada governo estadual estabeleça seu teto. "São Paulo já paga um mínimo de R$ 220, porque pode."
ACM disse que o PFL mantém a defesa por um mínimo equivalente a US$ 100, mas garantiu que o assunto faz parte das negociações envolvendo os técnicos do governo e os partidos base aliada. "Nós estamos trabalhando para chegar a um maior aumento possível", comentou frisando que os recursos necessários para o aumento não virão do Fundo de Combate à Pobreza, como sugeriu o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira.
O presidente do Senado confirmou que o PFL está trabalhando para sugerir uma maneira de tornar o reajuste do mínimo viável. Mais uma vez, ele se antecipou ao Palácio do Planalto dizendo que o anúncio do aumento será feito antes do 1º de Maio, Dia do Trabalho. "O mínimo vai agradar ao trabalhador."
ACM afirmou que a proposta do PFL é elevar o salário para o equivalente a US$ 100 na cotação do dólar de hoje. A cotação comercial da moeda americana fechou em R$ 1,78. "Se o dólar subir, fica valendo a posição da cotação de hoje."


