Brasília, 08 (AE) - Ao defender a nomeação para o cargo de diretor da Polícia Federal (PF) de um nome da confiança do presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), entrou hoje em choque com o PMDB e as principais lideranças do partido, ao se opor à intenção da legenda de fazer a indicação. Na opinião do senador, Fernando Henrique teria a "autoridade contestada", se viesse a se submeter aos pedidos dos líderes do partido.
De acordo com ACM, FHC não deve "dar nenhuma satisfação ao PMDB". "É importante o PMDB participar da aliança", frisou. "Entretanto, mais importante que o PMDB, o PFL e o PSDB é a autoridade do presidente."
Segundo ele, o presidente nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), "que é sempre tão arguto", nesse episódio, não fez uma boa colocação. "Acho mesmo que ele errou", criticou. "Mas ele é tão competente que pode modificar a situação, desaparecendo esse erro que ele cometeu." Ele procurou atenuar as declarações do ministro das Comunicações e coordenador político do governo, Pimenta da Veiga
que insinuou a possibilidade de o PMDB sair da base governista, mas disse que o partido está reivindicando um cargo que não lhe pertence.
ACM alegou que os cargos de ministros e demais funções "de importância", sobretudo o comando da PF, são tradicionalmente indicados pelo presidente da República. "Nesse caso, não cabe dúvidas que só o presidente pode indicar o nome"
ressalvou.
"Sequer deve ouvir ninguém sobre a escolha." ACM recorreu ainda ao argumento de que não há verticalização no governo. "Ainda se houvesse, cargos como o da Polícia Federal jamais poderiam fazer parte dessa verticalização." O presidente do Congresso citou como exemplo o caso dos Ministérios das Minas e Energia e da Previdência Social, ocupados pelo PFL, cujos titulares Rodolpho Tourinho e Waldeck Ornélas, respectivamente, indicados por ele, não nomeam os titulares das empresas ligadas à pasta, como Petrobras, Furnas Centrais Elétricas, Eletronorte, Eletrosul e Itaipu. "Se pudesse fazer as indicações, seria um ministério poderosíssimo", afirmou.
ACM justificou a demora do presidente em escolher um substituto para o ex-diretor da PF Vicente Chelotti, exonerado há três meses, ao afirmar que talvez ele estivesse procurando "fórmulas" para harmonizar as intransigências sobre o preenchimento do cargo. O senador foi previu que talvez esse problema com o PMDB "vai servir para consolidar a aliança com o governo". Justificou, dizendo ser melhor o governo ter uma aliança na qual que pode contar com todos parlamentares do que ter uma fragmentada, "que em cada coisa tenha de negociar". "Até aqui, bem ou mal, funcionou a aliança de certo modo proveitosa", afirmou.

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