Brasília, 02 (AE) - O presidente reeleito do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), saiu em defesa do futuro presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga. Para ACM, na condição de executivo do fundo de investimento do megaespeculador George Soros, Fraga terá condições de barrar qualquer ação criminosa contra a moeda brasileira.
"Na aparência, pode causar dúvidas, mas, na realidade, vai trazer benefícios", disse ACM, em relação ao cargo que Fraga ocupava.
"Ele, mais do que ninguém, conhece a ação do mercado, inclusive dos especuladores, para por fim a essa situação em que alguns desses criminosos estão prejudicando o País", completou o senador, ressaltando que todos têm de acreditar no caráter de Fraga, "já que, agora, ele está desvinculado dessa área e conhece muitos dos seus segredos para servir ao Brasil". Segundo o senador, há muito tempo a atuação do BC é péssima em relação à fiscalização.
Para ACM, Fraga é um economista extremamente competente. "Talvez, poucas pessoas e nenhuma no País tenha a sua prática operacional, sobretudo na área internacional, e isso o credencia para assumir a presidência do Banco Central", elogiou. ACM disse que Fraga não terá dificuldades para ser aprovado no Senado e que, a partir do dia 22, vai apressar a apreciação do nome do novo presidente do BC. O presidente do Senado disse que não esperava acontecer uma troca no ministério. Para ele, esse raciocínio que hoje é bom para o governo deveria ter sido feito há algum tempo.
O senador voltou a declarar guerra aos especuladores. "O que eu posso garantir é que a guerra aos especuladores não vai parar mais e, na hora que acabar com essa especulação, o Brasil vai viver em paz e dentro de um regime de normalidade cambial." Para ACM, a melhor opção é fazer uma ação forte contra quem está especulando. "Pedi ações mais eficazes, como fiscalização e regulação", observou.
Ele disse que o fortalecimento de Fraga dentro da equipe econômica não irá interferir na conduta do ministro da Fazenda, Pedro Malan. "Ele não tem essa vaidade de ser uma pessoa mais forte ou mais fraca", comentou. "O que ele quer é solução." Segundo ACM, a saída de Francisco Lopes demonstra que era difícil a permanência dos dois no governo, com idéias diferentes. "Quando o ministro Malan disse que achou que também devia colocar o seu cargo junto com o presidente do Banco Central à disposição do presidente da República, é óbvio que alguma coisa deve ter acontecido", avaliou.
O senador baiano lembrou que a mudança do presidente do BC, apenas três dias depois da aprovação do nome de Lopes pelo Senado, pode dar uma aparência ao mercado de que o governo não sabe o que quer. "O ministro Malan e o presidente Fernando Henrique devem ter pesado tudo isto", ponderou ACM. "Mas, no peso de todas as coisas, eles acharam melhor fazer uma substituição maior no Banco Central", comentou. "É o tal reforço da política econômica de que se fala há 30 dias."
ACM fez duras críticas à condução da política econômica feita pelo BC, principalmente em relação à fiscalização. "A atuação do Banco Central nesta área é péssima, haja vista que os problemas bancários de três anos passados foram por falta de fiscalização", afirmou o senador. "Isso é um erro crônico de muito tempo, que agora talvez acabe", disse o senador, defendendo uma mudança na orientação do BC. "Até para que possa evitar, no futuro, uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI)"
advertiu. O senador apontou erros na condução de Lopes durante o curto tempo de comando no BC. "No decorrer desse período, deve ter havido divergências, das quais a primeira foi a banda fixada em 1,32 real, que a maioria acha que ele não acertou", criticou ACM.
"Posteriormente, na última sexta-feira (29), o dia mais difícil para economia brasileira, era preciso uma ação mais eficiente por parte do Banco Central", observou o senador.
Ele lembrou que a proposta do governo, há algum tempo, era de fortalecer a área econômica, por meio de modificações no BC.
Para ACM, essa intenção pode ter causado um problema no comando da política econômica. "Por isso, a posição do ministro da Fazenda foi mais uma vez prestigiada", avaliou.
O senador mandou um recado para o Executivo, lembrando que o Congresso não deseja mais fazer aumento de impostos. "Já corte de gastos terá de ser analisado." Ele também voltou a se posicionar contra a privatização da Petrobras, como pregou o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).
Em relação à reforma tributária, ele defendeu o início das discussões o mais rápido possível para, depois, não se ter a desculpa de que foi adiada por falta de tempo. Sobre a possibilidade de votar no Congresso a mudança de regime para o parlamentarismo, ACM acha que isso é muito mais um desejo. "Até porque o parlamentarismo não pode ser vencedor no Congresso sem que haja uma vontade do povo na rua."

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