Brasília, 03 (AE) - O PFL e o PSDB aproveitaram as denúncias de irregularidades no Ministério dos Transportes e propuseram hoje medidas que visam a enfraquecer o ministro Eliseu Padilha. O presidente do Senado, Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), sugeriu a extinção do Departamento Nacional de Estradas de Rodagem (DNER) que estaria, de acordo com as acusações, antecipando o pagamento de precatórios judiciais. O deputado e ex-ministro dos Transportes Alberto Goldman (PSDB-SP) disse que a cúpula do ministério terá de ser investigada. "A pessoa física do ministro pode não ter tomado conhecimento, mas a cúpula do ministério não tinha como não saber."
Na opinião de ACM, a extinção do DNER "seria muito boa para o País" porque, segundo ele, "está provado que o órgão sempre esteve metido em falcatruas". Para ele, a decisão de Padilha de afastar funcionários do órgão não resolveu o problema. "Isso não é suficiente."
O presidente do PMDB, senador Jader Barbalho (PA), e o líder do partido na Câmara, Geddel Vieira Lima (BA), evitaram falar sobre o assunto. Participação importante na demissão dos ministros Luiz Carlos Mendonça de Barros (Comunicações) e Clóvis Carvalho (Desenvolvimento da Indústria e do Comércio) com seus violentos discursos no Senado, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) também preferiu o silêncio no caso de Padilha, seu correligionário e conterrâneo. "Os acontecimentos estão se desenrolando e eu prefiro me pronunciar depois que a situação estiver mais clara", afirmou.
Já o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), procurou demonstrar otimismo em relação a Padilha. "O problema está resolvido", disse, acrescentando que "o ministro conversou com o presidente e concordou em ir à Câmara". Caso Padilha não concordasse, corria o risco de ser convocado. Hoje, o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), apresentou requerimento convocando o ministro a depor na Comissão de Fiscalização e Controle e na Comissão de Transportes da Casa. Ganhou o apoio do líder do PFL, Inocêncio Oliveira (PE). "Ele deve se oferecer para vir aqui e dar as explicações."
No cargo desde maio de 1997, Padilha teve uma ascensão meteórica na política, mas enfrentou dificuldades para chegar ao primeiro escalão do governo. Prefeito de Tramandaí (RS) entre 1989 e 1993, elegeu-se deputado no ano seguinte e ficou dois anos como secretário do então governador gaúcho Antônio Britto (PMDB). Entre sua indicação pelo partido ao presidente e a nomeação - foram nove meses - a pasta foi ocupada pelo secretário-geral Alcides Saldanha.
Depois de empossado, o PMDB engajou-se numa nova batalha para afastar do ministério o novo secretário-geral, José Luiz Portella, que era identificado com o PSDB. Com liberdade para agir, tornou-se o grande articulador político do PMDB no governo
e foi peça fundamental para bloquear a tentativa do partido de lançar candidato a presidente em 1998 e para aprovar a emenda da reeleição.
Este ano, ele entrou em confronto com o PSDB e o PFL. No primeiro caso, o problema foi criado pela disputa pela presidência da Companhia de Docas do Pará, cargo reinvidicado pelo governador tucano do Estado, Almir Gabriel. Com o PFL, a luta é pela adoção do imposto verde, que seria cobrado sobre os combustíveis com recursos destinados para o Ministério dos Transportes.

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