Salvador, 08 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu hoje o entendimento entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e os governadores de oposição. Quando se impõe ultimatos, cabe ao presidente reagir, agora isso não impede o diálogo com os governadores que quiserem, isoladamente, procurá-lo, disse, quando visitava o Parque Jardim dos Namorados, na orla de Salvador, que será inaugurado amanhã (09) pelo governo baiano.
ACM negou ter aconselhado FHC a reagir à carta de exigências dos governadores, mas disse que se tivesse oportunidade sugeriria que agisse exatamente como fez. Ele (FHC) agiu de acordo com o poder que exerce; fora daí sua posição ficaria muito vulnerável, precisava manter sua autoridade, disse. O senador achou o teor da carta dos governadores de uma inabilidade para não dizer totalmente inadequada pelos termos empregados, pois quando se dirige a um presidente da República deve se dirigir em termos, declarou. Quem não sabe se dirigir em termos não merece ser atendido.
Magalhães alfinetou o governador de Minas Gerais Itamar Franco (PMDB). Esse movimento é dos governadores que ainda não aprenderam o que vão fazer, disse. Estão (os governadores de oposição) levando para a política em vez de fazer o dever, já que é obrigação de quem foi eleito examinar o seu estado, corrigir as distorções e aí passar a trabalhar com mais tranquilidade: quem não quer fazer isso entra na demagogia."
O senador voltou a defender a permanência de Pedro Malan no Ministério da Fazenda. Ele é o pilar mais importante que existe para o problema econômico ser resolvido. No entanto, disse que isso não significa concordar com todas as condições impostas pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Acho que a interferência, às vezes, é demasiada e um pouco irreal na medida que a nossa situação de pobreza tem de ser apreciada em profundidade pelo FMI e não se pode fazer um sistema que não funcione ou vá aumentar ainda mais a situação difícil que muitos se encontram.
ACM se declarou cético quando à possibilidade do governo, nesse momento, criar política de geração de emprego. Primeiro a estabilidade da moeda, depois o emprego, uma coisa é consequência da outra, mas algo já poderia ser feito, disse. Na visão do senador, o governo deveria tratar essa semana o caso da fábrica da Ford. "Os dirigentes e os empregados já se entenderam e agora só falta a ação do governo e essa não pode faltar pois o presidente Fernando Henrique fez uma promessa para mim, de resolver o assunto, quando levei a reivindicação do Luís Marinho a ele." Os sindicalistas e os empresários do setor automobilistico querem a redução de impostos para a suspensão das demissões.

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