ACM defende comparecimento de Malan à CPI
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segunda-feira, 26 de abril de 1999
Por Rosa Costa 
Brasília, 27 (AE) - O presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), defendeu hoje o "comparecimento espontâneo" do ministro da Fazenda, Pedro Malan, ou de outra autoridade do governo na CPI do sistema financeiro para dar as explicações não fornecidas ontem (26) pelo ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes. "Penso que alguém do governo deve se prontificar a dizer tudo o que acha", defendeu. "Pode ser Malan, pode ser o Armínio, pode ser alguém do governo, que venha se colocar espontaneamente à disposição".
Segundo ele, a CPI não tem interesse em chamá-los "porque de certa forma já formou o juízo sobre o Chico Lopes". Ele disse que, se Lopes tem alguma coisa contra o governo, deve revelar.
ACM previu que o ex-presidente do Banco Central irá para a cadeia se houver um julgamento isento sobre o seu desempenho num cargo público, mas procurou preservar o governo em todas suas declarações sobre o episódio. Justificou sua posição dizendo que a situação de ser surpreendido por alguém com um procedimento condenável, como a utilização de informações privilegiadas, "pode acontecer na casa de qualquer um". "O governo, evidentemente, não foi manchado em nada", afirmou.
Ele, porém, foi duro com Francisco Lopes, por entender que a sua atitude na CPI significou para a opinião pública uma confissão de culpa. "E é capaz de ser (culpado) mesmo", disse. "Hoje eu tenho poucas dúvidas sobre a culpabilidade dele. Porque quem não tem culpa vem se defender." O senador disse que Lopes "fugiu", "aconselhado, talvez, por advogados que não estivessem à altura do assunto".
ACM alertou aos demais convocados pelas CPIs do Senado para que não repitam o procedimento de Francisco Lopes, de se recusar a assinar o compromiso de só falar a verdade. "Se fizerem isso, nós vamos fazer a mesma coisa com eles", antecipou, referindo-se à ordem de prisão e à adoção de medidas para facilitar as investigações, como a quebra do sigilo bancário, fiscal e telefônico. "As investigações vão ser maiores e vão pegar quem for necessário."
Para o senador, o resultado das investigações vai comprovar que acabou no País "a época em que ladrões e ricos não iam para cadeia, se fossem importantes". O presidente do Senado elogiou a ação do Ministério Público e da juíza Ana Paula Vieira de Carvalho, que autorizou a apreensão de documento na casa de Lopes. "Temos que agradecer a atitude que tomaram", sugeriu. "Porque, quem agiu como ontem (segunda-feira), teria retirado tudo o que tinha em casa."
Na opinião de ACM, o ex-presidente do Banco do Banco Central poderia ter dado o depoimento e se recusado a responder a questões que achasse que poderiam prejudicá-lo, como consta de um parecer do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Celso de Mello, que reconhece esse direito ao depoente.


